Na luta por justiça reprodutiva: Uma análise de articulações periféricas e
afrocentradas de combate à violência obstétrica
justiça reprodutiva; violência obstétrica; racismo obstétrico; necropolítica;
mídias sociais
Este trabalho tem por objetivo produzir um estudo sobre o problema da
violência obstétrica e do racismo obstétrico no Brasil, tendo como foco uma análise de
movimentos de resistência e combate a esses problemas que estruturam suas ações a
partir de perspectivas periféricas e afrocentradas. Apresento observações sobre o modo
como ativistas e coletivos contra a violência e o racismo obstétrico estruturam suas
ações privilegiando o recorte raça/cor e classe social para construção de estratégias
para justiça reprodutiva. Ao desenvolver essa pesquisa, pretendo analisar e descrever a
temática violência obstétrica no contexto brasileiro e sua intensa relação com o racismo
estrutural e preconceito de classe; e de que modo coletivos de mulheres têm se
organizado para propor ações de enfrentamento e conscientização sobre a violência
obstétrica considerando outras formas de conhecimento e suas aspirações pessoais e
coletivas de bem-estar, saúde e cuidado, entendendo o problema para além da questão
de gênero. A metodologia utilizada para a produção deste trabalho é pesquisa
bibliográfica; pesquisa documental; e pesquisa etnográfica e netnográfica, verificando-
se os discursos promovidos por essas ativistas em espaços físicos e virtuais, como em
suas mídias sociais. Esse ativismo tem sido feito a partir de produção de conteúdo
sobre saúde e direitos em mídias sociais; promoção de rodas de conversa, cursos de
educação perinatal e doulagem voluntária direcionada a um público que não costuma
ter acesso a esses serviços; e parcerias com agentes políticos e instituições estatais para
a realização de debates públicos e construção de políticas públicas sobre direitos e
saúde sexual e reprodutiva. Mais do que tornar informação e serviços de saúde mais
acessíveis, se tem pensado na urgência de racializar o debate sobre a assistência
obstétrica dispensada às mulheres negras e/ou periféricas, as quais, de acordo com
pesquisas de saúde coletiva são as maiores vítimas/reclamantes de violência obstétrica.
A atuação dessas ativistas e coletivos a partir da valorização de experiências vividas e
compartilhadas tem promovido o acesso a diferentes práticas e saberes em saúde, e
outras noções e condutas de bem-estar, saúde, vida em comunidade e participação
social na política, visando, em um contexto geral, à preservação da vida frente a
expressões necropolíticas.