Dominação territorial e rotina de episódios exploratórios: as dinâmicas impostas aos moradores e as particularidades de atuação das milícias na região de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro; milícias; Zona Oeste; sociabilidade; Santa Cruz
Esta dissertação tem como ponto de partida a vivência em Santa Cruz, bairro do extremo oeste da cidade do Rio de Janeiro, o qual se configura sob o domínio de grupos armados, mais especificamente, de milícias. Como principal argumento de sua produção, a localidade segue como um território carente de estudos acadêmicos a respeito da atuação desses grupos, apesar de ser marcada por episódios que envolvem suas práticas de coerção, e da constante veiculação midiática. Embora o tema da violência urbana no contexto da cidade tenha sido abordado por pesquisadores de diversas instituições, é fundamental considerar que o modus operandi desses grupos varia de forma significativa conforme o território em que atuam, de modo que cada localidade apresenta dinâmicas específicas que influenciam o cotidiano e a sociabilidade dos moradores, fator responsável por oferecer um campo analítico produtivo para a compreensão das particularidades regionais. Como problema central, busco compreender de que maneira ocorrem as formas de dominação atual das milícias na região e a relação dos moradores com o fenômeno. A investigação parte da premissa de que as características históricas, sociais e urbanas do bairro contribuem para a normalização dos episódios violentos e de práticas abusivas de milicianos com os residentes. O ponto de partida é o uso de dados de relatórios já existentes que apontam o avanço espacial e temporal das milícias no Rio de Janeiro. Porém, a vivência local é que possibilita descobrir peculiaridades de atuação dos grupos paramilitares na região, sociabilidades dos agentes imersos neste contexto e resistências cotidianas. Deste modo, o principal método utilizado capaz de compreender as dinâmicas atuais tem relação com a observação participante, de acordo aos preceitos de Valladares (2007).