O quilombo como fonte de interpretação antidualista do Brasil: diferentes faces da necropolítica.
Quilombo.Necropolítica.Antidualismo.
Este trabalho faz uma análise do Brasil contemporâneo pela ótica das políticas quilombolas pós Constituição
Federal de 1988 (CF/88) sobre um material documental adicionado de observações empíricas a partir dos
usos, sentidos e, consequentemente, disputas adjacentes à nomenclatura “quilombo”. Para tanto, toma como
exemplo algumas comunidades do Estado do Rio de Janeiro. Propõe entender o Brasil sob uma interseção
existente entre quilombos e necropolítica em uma análise devidamente entendida como antidualista. O
quilombo é um modelo social, forma de vida, ainda que com diferentes configurações formativas e traços
históricos próprios, que possui certa duplicidade situacional. São, frente aos ordenamentos em que são
pautadas suas lutas e disputas, produtores de direitos de suas formas de vida e existências, e produtores de
mercadorias (de diversos tipos e sentidos). Tal duplicidade os coloca como ponto de interlocução entre a
instrumentalização da desumanização realizada pelas contradições do capitalismo brasileiro e a eliminação
enquanto segmento social. Esta tese apresenta necropolítica e antidualismo vistos pela existência e afirmação
da existência do quilombo.