Ocupações das escolas e a Nova Cultura Politica (NCP): explicando a da atuação dos
estudantes em 2015 e 2016 a partir de uma nova perspectiva teórica.
Ocupações das Escolas; Nova Cultura Política; Cultura Cívica; Automobilização
As ocupações das escolas no Brasil, que ocorreram entre os anos de 2015 e 2016,
alcançaram notoriedade pelo número de escolas em poder dos estudantes – estima-se um pouco
mais de 1.350 instituições de ensino – e pela estratégia de ação adotada, com destaque para
performances artísticas, pela presença mais evidente de lideranças femininas, pela rejeição de
estruturas verticais de organização, pela resistência à representação de movimentos estudantis
organizados e partidos políticos. O objetivo nesta pesquisa é explorar a possível relação entre os
valores políticos que foram compartilhados entre os estudantes durante a ocupação das escolas e o
repertório de ação, a partir da perspectiva da Nova Cultura Política (NCP). O problema que
investigo esbarra num paradoxo: por que razão, no contexto brasileiro marcado por profunda
desigualdade social e carências materiais, temas pós-materialistas – como a agenda identitária –
puderam se firmar como centrais no decorrer das ocupações das instituições de ensino? Trabalho
com a hipótese de que as ocupações das escolas no Brasil apontam para possibilidade de
cooperação em ambientes onde culturalmente os sistemas de participação não estimulam a
cooperação. O novo civismo estaria orientado por uma perspectiva individualizada onde
despontariam a busca por autoexpressão e o estilo de automobilização, rejeitando as formas
associativas tradicionais. Este novo civismo orienta-se para uma agenda de temas ou de problemas
pós-materialistas (meio ambiente, identidade) que configuram, nos termos de Inglehart, uma Nova
Cultura Política.