Economia mundo em crise e transição: perspectivas para as Ciências Sociais no século XXI.
Economia-mundo; moderno sistema mundial; economia-mundo capitalista; capitalismo; ciclos sistêmicos; ciclos de Kondratieff; Revolução científica-técnica
A relação entre diversos processos socioeconômicos e ambientais que podemos lastrear desde ao menos o século XI confluíram para a formação, sem determinismos históricos, do Moderno Sistema Mundial, ou da Economia-mundo Capitalista no século XVI. Esse sistema constitui-se numa totalidade socioeconômica que alastra seus imperativos através de uma divisão internacional e desigual do trabalho a qual, no século XIX, atinge seu ápice e abrange praticamente todos os cantos do globo. A economia-mundo capitalista se difere de outras formas de sociedade pois seus principais imperativos são a acumulação infinita de capitais e a expansão econômica. Quando a acumulação material é ameaçada pelas próprias contradições do Capital, a expansão territorial e/ou a expansão financeira, além do aumento da exploração, servem para combater fases de desaceleração econômica, mas seus efeitos possuem limites e a instabilidade global leva a períodos caóticos, de incertezas, receios, aumento das tensões militares e, no fim, à própria necessidade do capitalismo de reconfigurar seus padrões de acumulação. A presente pesquisa tem como objetivo, primeiro, apresentar as contribuições teóricas para a construção de uma abordagem marxista da economia-mundo capitalista e, segundo, promover um instrumental teórico-metodológico que permita a analise da atual situação desse sistema mundial e os desafios que este apresenta para as Ciências Sociais no século XXI. Argumentamos que o sistema mundo capitalista passa atualmente por fases naturais e cíclicas de transição que são caóticas e refletem as próprias contradições do sistema. Contudo, a reconfiguração dos padrões de acumulação do capitalismo no século XXI parece estar atingindo os seus limites diante de tendências seculares que demonstram principalmente a falta de novos espaços para que o sistema continue a promover a acumulação desigual por meio das trocas desiguais que minariam a alta lucratividade de setores líderes da economia. Ainda, o capitalismo enfrenta um momento decisivo. A Revolução técnico-científica impõe um novo paradigma às forças produtivas que confrontam o modo de produção vigente. O resultado final, argumentamos, é o fim do próprio capitalismo como o conhecemos. O caminho para sistema mais iguais e democráticos aparece como possibilidade, mas formas ainda mais hierarquizadas e desiguais também disputarão o espaço no novo modelo global. O resultado dessas lutas é incerto.