Memórias de Borboletas e Mariposas: Um estudo sobre a reconstrução da coleção de
lepidópteros do Museu Nacional-UFRJ
borboletas e mariposas; memória; coleção, emaranhamento; Museu Nacional-UFRJ.
Em 2018 o Museu Nacional-UFRJ sofreu um incêndio que carbonizou mais de 100 mil borboletas e
mariposas da coleção da entomologia. O desastre ocorrido trouxe à tona diferentes memórias
relacionadas à construção da coleção. São memórias emaranhadas que descrevem relações
intrincadas entre diferentes atores, tanto humanos quanto não humanos, em contextos de incerteza e
caos de maneiras imprevisíveis e não lineares (Tsing, 2022). O técnico que organizou todo o
arquivo antigo é obrigado a ir a campo e coletar novos espécimes, logo ele que nunca se sentiu à
vontade em matar. Paisagens que mudaram na transformação do espaço urbano alterando a
diversidade dos insetos que hoje foram extintos. Borboletas e mariposas que traziam em suas etiquetas seu nome científico, quem coletou, quando, onde, e mesmo quando a etiqueta se perdia, era possível supor algumas informações ao analisar os espécimes. A própria marca que fungos e traças deixaram no corpo das borboletas e mariposas podia dizer algo. Mesmo depois de mortas, esses insetos têm um tipo de memória, seja em suas características, seja nas relações que estão inseridas. É complexo separar esses insetos enquanto sujeito e objeto, distinguir a borboleta que tem memória e a borboleta que produz a memória do museu. Me proponho a trabalhar essas memórias pensando na borboleta e na mariposa como constituidoras da coleção e do museu. Pensar qual é o papel da borboleta para a existência e reconstrução do museu, e a ironia dela enquanto possuidora de memória ser morta para construir a memória da instituição.