“É de sambar repreendendo”: corpos negros em movimento entre
igreja evangélica e escola de samba
evangélicos; escola de samba; trajetória; carnaval
A periferia é permeada por enredos sociais que não se detém a limitações gerais e autoexplicativas.
Cruzos/conflitos/negociações podem ser entendidos através das circularidades de indivíduos e suas
famílias nos espaços urbanos (TELLES, 2016). Religião e carnaval das escolas de samba se ligam
historicamente seja na pedagogia dos tambores, ou no sincretismo afrocatólico. Contudo, pesquisas
têm apontado nos últimos anos a diminuição do número de católicos em detrimento ao aumento de
evangélicos no país, logrando o debate da presença de pessoas evangélicas em lugares que, alguns
anos atrás, era praticamente impensável. No ensejo de apresentar um desses atravessamentos, o
presente trabalho tem como objetivo entender, por meio dos passos de dois jovens passistas negros
moradores de Santa Cruz, extrema Zona Oeste do Rio de Janeiro, o movimento praticado por pessoas
evangélicas nas escolas de samba. Para isso, parto da compreensão que: samba, agremiações
carnavalescas e igrejas evangélicas – cada um à sua forma - constituem um sistema complexo de
saberes, repertório de resposta aos dilemas sociais, estratégias de reinvenção e práticas sensoriais que
se manifestam por meio dos corpos e reorganiza o senso de comunidade perdida com a diáspora
atlântica; essa encruzilhada têm possibilitado novas cenas de tensões, negociações, rupturas e
continuidades para esses indivíduos e suas famílias. Nesse sentido, este trabalho tem como intensão
inserir-se num conjunto de produções sobre o campo evangélico que reflete sua complexidade com
interesse em estudar seus efeitos nas micro relações.