Ubuntu: uma análise sobre relações, conexões e a valorização do coletivo
que tornaram possível o mandato de Marielle Franco
Marielle Franco; redes de sustentação; trajetória; cuidado.
Esta pesquisa de mestrado propõe uma análise das redes de relações e conexões que
possibilitaram a emergência de Marielle Franco como figura pública e notável no cenário
político carioca. Ao partir do pressuposto de que ninguém se constrói sozinha, investigo de que
forma essas redes – formadas por afetos, alianças, práticas coletivas e trocas simbólicas e
materiais – atuaram como mecanismos de sustentação em sua trajetória até a Câmara dos
Vereadores do Rio de Janeiro. O problema que norteia esta investigação diz respeito à
invisibilização das relações que tornam possíveis determinados corpos e trajetórias políticas,
especialmente quando se trata de mulheres negras, faveladas e lésbicas em espaços institucionais
de poder. Para reconstruir e resignificar a trajetória de Marielle Franco, adoto uma metodologia
qualitativa e interseccional, baseada em entrevistas semiestruturadas com mulheres próximas à
vereadora e com moradores e moradoras da Maré, território que moldou sua existência política.
A escuta atenta dessas narrativas permite a reconstituição das tramas coletivas que sustentaram
sua caminhada, bem como a identificação de práticas, estratégias e afetos que continuam
reverberando após seu assassinato. Concluo que o fenômeno Marielle não pode ser
compreendido fora das redes que a formaram: redes de cuidado, de militância, de lealdade
política e de pertencimento territorial. Ao trazer essas redes à luz, esta pesquisa não apenas
reinscreve sua trajetória em um horizonte coletivo, mas também contribui para o fortalecimento
de práticas políticas insurgentes que desafiam a lógica individualizante da representação política
tradicional.