População em situação de rua e questão social no Rio de Janeiro: algumas mediações possíveis.
População de rua, questão social, Estado
Esta dissertação traz como objetivo a investigação da relação entre população em situação de rua e questão social no Rio de Janeiro, a partir do desvelamento de aspectos referentes a permanências e rupturas que permeiam tal relação. Utilizamos uma triangulação de técnicas: observação, entrevista, análise documental e de fontes históricas. Realizamos um posicionamento teórico sobre a questão social no Brasil, uma mediação com a questão urbana no Rio de Janeiro, a partir do massacre do Rio da Guarda, episódio que ganhou notoriedade nacional e aponta para a relação entre cidade, Estado, mercado e população em situação de rua. Após isto, tratamos das formas de organização e resistência das pessoas em situação de rua, com enfoque no Movimento Nacional da População em Situação de Rua, lançado no contexto do lulismo. E por fim, analisamos a organização da e pela população em situação de rua no Rio de Janeiro, compreendendo as especificidades regionais. As lutas empreendidas nos últimos anos tem sido importantes vetores de rupturas com o que estava posto e a principal permanência na relação estudada é o repressão, que não deixa de existir e ter força ainda que haja uma tendência à perspectiva dos direitos. Diferente do caso de estados onde o MNPR é mais atuante e onde o movimento foi gestado, não observamos no Rio de Janeiro um processo de amadurecimento organizativo e de incentivos governamentais para sua organização prévia, antes dos anos 2000, algo que ocorreu em outros casos, principalmente em relação a gestões municipais do PT.