A experiência do Jardim Batan: regime de incerteza no pós-pacificação
Pós-Pacificação; Violência; Incerteza
A presente etnografia buscou fazer uma revisão da história social da favela do
Jardim Batan, zona oeste do Rio de Janeiro para compreender a mudança social e dos
ordenamentos territoriais ao longo do tempo e uma nova forma de governo dos pobres
estruturada após o fim do projeto de pacificação, o regime de incerteza. Busco capturar as
aproximações e os afastamentos dos diferentes governos, seus dispositivos de poder, seus
agenciamentos e as formas de sujeição e subjetivação a partir da vivência de certos moradores.
O fechamento da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Batan inaugurou um contexto de
profundas mudanças no cotidiano da comunidade, onde a volta do controle territorial do
tráfico, a guerra entre facções rivais, a possibilidade do retorno da milícia e a insegurança
causada pelo aumento dos roubos, condicionaram a impossibilidade da reprodução do modo de
vida anterior e um sentimento de incerteza generalizado. Nesse sentido, o objetivo dessa
pesquisa é mostrar as formas criativas de viver e sobreviver nessas adversidades e as
possibilidades reais de resistência.