A recepção do Pensamento Pan-Africanista no Brasil
Pan-Africanismo, Educação Popular, Movimento Negro
O objetivo desse projeto é a pesquisa sobre a recepção do Pan-Africanismo no Brasil, pelos intelectuais do
movimento social negro, que veio contribuir com o pensamento social no Brasil, como por exemplo estudos que
levaram às políticas públicas como o ensino da história da África e afro-brasileira (Lei 10.639/03). Mapeando os
intelectuais encontrados, no Movimento Negro e na Educação Popular, gera-se um trabalho que pode contribuir para a área de ciências humanas e sociais, que permita promover um diálogo entre o Pensamento Pan Africanista e o Pensamento Social Brasileiro. O movimento Pan-Africanista interessou-se não só pelas sociedades negras, mas também pelos países “periféricos”, sociedades colonizadas e organizadas sob o molde escravagista. O movimento construído pelo Pan-Africanismo gerou uma dialética de debate entre continentes e entre intelectuais das mais diversas áreas deatuação profissional, desde espaços culturais à política. Produziu um conhecimento a partir dos intelectuais negros e apartir da periferia, para compreender o poder que o processo escravista e colonizador exerceu sobre as populações subjugadas e como o fim da escravidão e da colonização oficial na prática não alterou as condições sociaisdessas populações, e para propor uma unificação dos territórios africanos e da diáspora a partir da identidade cultural e da solidariedade política e econômica. No Brasil, o movimento Pan-Africanista não foi inicialmente recepcionado pelas ciências sociais, como se deu em outros países da América Latina, nem sequer existiu entre nós um intelectual pan-africanista, embora o movimento negro no Brasil organizado exista desde o início do século XX. Podemos considerar que talvez esse movimento no Brasil tenha sido negligenciado pela sociologia, pois mais interessava o “discurso” do Brasil ser uma “democracia racial”, mascarando o problema da questão racial, que nunca deixou de ser um problema
político/social e nem um objeto de interesse sociológico. Ainda assim, a recepção do Pan-Africanismo no Brasil por intelectuais de diversas áreas se deu através da militância política, como exemplo, Abdias do Nascimento, que introduziu o Pensamento Pan-Africanista no Brasil e promoveu um debate racial a partir de uma outra perspectiva, do
pensamento africano mundial.