Trabalhar no tráfico: experiências de mulheres no mercado das drogas
mulheres; tráfico de drogas; divisão sexual do trabalho; prisão
O presente trabalho tem por objetivo compreender as formas de atuação de mulheres no mercado
das drogas a partir de suas histórias de vida e experiências de inserção nos grupos de varejo do
tráfico. A pesquisa foi realizada através de trabalho de campo feito com mulheres traficantes ou
ex-traficantes na Penitenciária Talavera Bruce e no Instituto Penal Santo Expedito no Rio de
Janeiro e também por meio de entrevista com uma egressa do sistema prisional e ex-traficante. A
pesquisa analisou como se dá o trabalho de mulheres no tráfico de drogas, trazendo uma
discussão sobre a divisão sexual do trabalho nesse mercado. Além disso, explorou como elas se
organizam em um ambiente altamente masculinizado, quais são as habilidades necessárias para a
atuação delas no tráfico, quais as hierarquias presentes e como é o dia a dia na “função”.
Conjuntamente, tem-se como objetivo demonstrar as condições de confinamento dessas mulheres
dentro do cárcere, na medida em que elas relataram nas entrevistas as vivências e dramas como
mulheres encarceradas e, dessa forma, descrever a degradação prisional a que são submetidas.
Chama atenção que, mesmo com as dificuldades de gênero a elas impostas na hierarquia do
tráfico, as mulheres vêm disputando os diferentes postos hierárquicos com os homens; o tráfico,
como se apresenta nas favelas cariocas, “bagunça” um pouco essa ideia de trabalho de homem
versus trabalho de mulher já que na função ambos podem ser aproveitados em diversas tarefas e
ganham destaque conforme seus desempenhos.