A RECONSTITUIÇÃO DA HISTÓRIA DO POVO PURI NO NOROESTE
FLUMINENSE E OS USOS DA MEMÓRIA ANCESTRAL – BREVE ANÁLISE SOBRE
SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA E MIRACEMA (SÉCULOS XVIII – XXI)
Memória; Puri; Noroeste Fluminense; retomada.
A presente pesquisa investiga a trajetória e agência dos Puri no território fluminense nos séculos XVIII a XX, com ênfase nos municípios de Santo Antônio de Pádua e Miracema, localizados na região Noroeste do estado. Considerados extintos a partir do século XIX, eles sofreram um apagamento histórico pelas conjunturas políticas/sociais que foram construídas e levadas a frente pelo imaginário colonial. Não se falando mais em indígenas, mas em uma sociedade “misturada”, se estabeleceu então um cenário que dissolvia os indígenas tanto dos registros oficiais, como de dentro das sociedades o que contribuiu para perpetuar e atribuir a eles um estigma de extinção. Contudo, mesmo com todas as tentativas de extermínio e dominação cultural, muitos povos resistiram tentando superar a invisibilidade a eles imposta pelo Estado e por partes significativas da sociedade para manter vivas suas culturas. Desde que a Constituição de 1988 se estabeleceu como um marco da redemocratização do país, garantindo a eles direitos antes negados, muitos povos indígenas têm se organizado cultural e politicamente no presente. É o caso dos Puri no sudeste do Brasil, que têm adotado estratégias identitárias e políticas para adquirir visibilidade e reconhecimento no contexto fluminense e nacional, a exemplo do movimento auto organizado “Ressurgência Puri” que é um espaço de diálogo e organização em contato com Puris de vários estados. Logo, busco contrapor a lógica do suposto desaparecimento desse povo no Noroeste Fluminense debatendo a preponderância da historiografia oficial que excluiu as narrativas e o protagonismo desses indígenas, construindo uma sociedade desigual onde grupos pluriétnicos não foram envolvidos. Portanto, incluo os Puri na lógica de formação dos municípios em destaque pela percepção da historicidade das situações coloniais expostas, visto que eles tiveram papel fundamental nas sociedades que se formaram nesses territórios pois elaboraram processos criativos de adaptação, sobrevivência e resistência que deixaram um legado histórico que perpetua até hoje. Para isso, analiso através de levantamento histórico-bibliográfico a configuração social e política que foi se formando na região desde o século XVIII que afetaram as relações que já existiam. Por fim, faço uso de fontes primárias e secundárias, bem como de relatos memorialistas a fim de contribuir para o registro e a análise dessas populações, reconhecendo a memória como um instrumento crucial para a continuidade das histórias desses povos em retomada.