EMOÇÕES, SOCIABILIDADES E ESCOLAS: UM ESTUDO
SOBRE JUVENTUDES E “EMOÇÕES ADOECIDAS.”
Juventudes; Escola; Violências; Conflitos; Sociabilidade; Emoções..
A presente pesquisa teve como objetivo compreender os processos de construção de
sociabilidades juvenis, em uma escola pública do município de Seropédica, a partir das situações
de sofrimento emocional individual e coletivo, observadas durante a pesquisa, com especial
atenção para os relatos sobre as emoções, experiências e situações acionados pelos jovens
justificando e comunicando sobre suas “emoções adoecidas”. Tal objetivo foi construído, a partir
do relato da assistente social, acerca de um caso de surto de ansiedade coletiva, com algumas
alunas do curso de formação de professores. O fato teve início com a propagação de um boato de
suposto massacre que ocorreria na escola.
Percebemos que as situações experimentadas são as mesmas que sempre estiveram
presentes na sociabilidade juvenil nas escolas, quais sejam: intolerâncias por diferentes
motivações e intimidação sistemática entre colegas que podem se tornar violências físicas, morais
e psicológicas. Entretanto, o acontecimento de ansiedade coletiva demandou da escola a
necessidade de estratégias de administração de conflitos, gestão das emoções coletivas, cabendo à
escola construir caminhos para administrar as desavenças e diferenças que se apresentam na
sociabilidade escolar. A temática das emoções apresentada nesta dissertação foi embasada,
teoricamente, a partir do conceito de “emoções adoecidas”, de Ferreira (2022) e à luz da
sociologia e antropologia das emoções. Alicerçados em tais referenciais teóricos, observamos que
a construção dos sentimentos/emoções, para além do caráter essencialista (VÍCTORA e
COELHO, 2019) são processos sociais, culturais, históricos e situacionais socialmente
construídos pelos quais nossas emoções passam. Evidenciamos a necessidade de garantia de
atendimento emocional aos alunos que vivenciam sua juventude em novos contextos sociais do
presente momento histórico, no qual, faz-se urgente que as escolas atuem para além da
reprodução de conteúdo acadêmicos. Mas que sejam reconhecidas como espaço de vida,
socialização, formação psicológica, acolhimento, atendimento psicossocial; com diversidade de
profissionais capazes de produzir escuta, acolhimento e tratamento para as dimensões de
sofrimento psicológico e social.