"É de sambar repreendendo”: corpos negros em movimento entre igreja
evangélica e escola de samba."
evangélicos; escola de samba; periferia; subjetividade
A presente pesquisa aborda a complexidade dos processos de subjetivação contemporâneos,
marcados por múltiplas pertenças, e por um constante processo de negociação entre diferentes
experiências e práticas. Com este objetivo, este trabalho baseou-se no acompanhamento da
trajetória de uma passista e um passista de Escolas de Samba do bairro de Santa Cruz (Zona
Oeste do Rio de Janeiro), ambas pessoas negras com relações subjetivas, familiares e territoriais
com igrejas evangélicas. Por meio dessas trajetórias, pretende-se demonstrar como experiências
periféricas têm permitido pensar novos processos de subjetivação com atravessamentos entre
samba e religião evangélica. Este trabalho entende o samba como mais que um gênero musical,
mas um espaço de elaboração de vivências e de transmissão de uma pedagogia ancestral. As
escolas de samba como espaços de resistência que surgiram em um contexto de marginalização e
exclusão social; a periferia urbana no Rio de Janeiro como o local onde contatos, conflitos, cisões
e atravessamentos de práticas e experiências ocorrem. Partindo dessas considerações, a pesquisa
tensiona se as mudanças percebidas na periferia nos últimos anos, por esses fenômenos sociais,
não têm também sido demonstradas nos corpos e vivências dos sujeitos que residem nessas
regiões e experienciam essa cidade em constante transformação. No afã de responder as questões
que circundam essa temática, acompanhei Marcela Andrade e Ruan Santana, respectivamente
musos da Acadêmicos de Santa Cruz e passistas da Concentra Imperial, durante toda a preparação
para o carnaval da Intendente Magalhães de 2023.