A produção das mortes e a ocultação dos cadáveres: um estudo sobre
as valas clandestinas na Baixada Fluminense
Valas clandestina; Baixada Fluminense; Necropolítica.
A presente dissertação tem como objeto de análise as valas clandestinas na Baixada Fluminense
(Rio de Janeiro), a pesquisa busca discutir junto a bibliografia das ciências sociais o que são valas
clandestinas, popularmente chamados de cemitérios clandestinos, e quais funções cumprem em
uma sociedade clivada por raça, classe e gênero e marcada pela alta letalidade violenta. A
pesquisa busca construir e analisar mapas georreferenciados elaborados a partir de uma leitura
sistemática do banco de dados do Disque Denúncia em que as denúncias sobre valas clandestinas
foram selecionadas no período de 2016 a 2020, e as localizações foram plotadas em mapas no
My Maps para melhor compreensão do fenômeno de desaparecer corpos na Baixada Fluminense
(RJ). A pesquisa busca ainda descrever e classificar as técnicas, modos e procedimentos
utilizados pelos criminosos e grupos armados com domínio de território para desfazer-se de
corpos e que foram registradas nas denúncias anônimas. Existe um extenso repertório de poderes
e saberes dos governos do crime e do próprio Estado para a gestão da vida e da morte em que as
valas clandestinas se apresentam como uma técnica de terror compartilhada por esses diferentes
atores que ora disputam entre si e ora se unificam para expansão ou manutenção das suas
governanças, neste caso, na Baixada Fluminense.