À ESPERA DA SALA DE ESPERA:
CONSIDERAÇÕES SOBRE DESENHO, INTERDISCIPLINARIDADE E AS
FRONTEIRAS ENTRE SAÚDE E ANTROPOLOGIA
interdisciplinaridade, saúde, desenho, etnografia
Nesta dissertação, faço considerações sobre o uso do desenho como ferramenta etnográfica em contextos de saúde pública e pesquisa interdisciplinar. A partir de experiências anteriores e das proposições desenvolvidas no mestrado, a pesquisa explora as relações entre etnografia, atendimento clínico e práticas de desenhar. Em primeira mão, com o foco na saúde mental infantil e na interação com famílias em um projeto interdisciplinar, o desenho surge como recurso de expressão, acolhimento e escuta, estruturando registros visuais que ampliam a compreensão das dinâmicas do campo e suas demandas. Com a proposição de se estender para a sala de espera de um ambulatório, a observação etnográfica por meio de desenhos possibilita novas formas de sistematização visual de um cotidiano ordinário de horas aguardando atendimento, construindo uma rota de compreensão das interações e movimentações clínicas. Reflito, desta maneira, sobre seu papel na construção de vínculos e na sensorialidade da pesquisa, numa posição que valoriza a expressividade como central para envolvimento do campo. Não deixando de fora os desafios éticos e burocráticos que essa proposição implica, trazendo para o debate as dificuldades que permeiam o trabalho etnográfico autônomo de um pós-graduando em Ciências Sociais em uma instituição de saúde. Ao transpor essa abordagem com desenhos para o contexto da sala de aula, busco esmiuçar conexões e vínculo de pesquisa considerando as relações entre manifestações artísticas e ciências humanas, enfatizando suas disposições disciplinares, utilizando o desenho para mapear trajetos e experiências de deslocamento dos participantes e pensar esse exercício para outras frentes etnográficas possíveis. Desta maneira, o estudo evidencia como o desenho pode articular discussões entre pesquisa qualitativa, ética e interdisciplinaridade, oferecendo novos caminhos para compreender experiências sensíveis no campo etnográfico, dentro e fora do campo da saúde.