MEMÓRIAS COM BORBOLETAS E MARIPOSAS: ARQUIVO, RUÍNA E
RECONSTRUÇÃO NO PATRIMÔNIO BIOLÓGICO DE LEPIDOPTERA DO MUSEU
NACIONAL-UFRJ
relação humano animal, incêndio, coleção científica, história da
ciência, entomologia
Esta dissertação propõe um olhar interdisciplinar sobre o patrimônio científico, a partir de
uma etnografia situada na reconstrução da coleção de borboletas e mariposas do Museu
Nacional/UFRJ, após o incêndio de 2018. Entrelaçando ciências sociais, biologia e estudos
de memória, o trabalho percorre diferentes formas de lembrar e esquecer — humanas e
não humanas —, discutindo as relações entre memória biológica, memória institucional e
memória afetiva. O primeiro capítulo parte da convivência com larvas e adultos de
Mechanitis polymnia e M. lysimnia, para pensar como a experiência com os insetos pode
expandir a noção de memória, deslocando fronteiras entre natureza e cultura. O segundo
capítulo acompanha os rastros do incêndio como processo histórico, simbólico e político,
refletindo sobre o apagamento de memórias, a desigualdade no acesso ao patrimônio e o
luto não elaborado diante da destruição. No terceiro capítulo, a reconstrução da coleção é
analisada como campo de disputa e produção de sentido, destacando os papéis de técnicos,
curadores e estagiários na recriação de um acervo que nunca foi neutro. A dissertação
propõe que colecionar é também uma forma de lidar com a finitude — de transformar
ausências em presença, perdas em gesto. Longe de oferecer uma resposta definitiva, o texto
se constrói como tentativa de escuta — das borboletas, das ruínas e das pessoas —,
sugerindo que a memória, como os insetos que resistem ao fogo, também migra, muda de
forma e sobrevive.