O que deu errado em sua carreira? “Ser mulher”. Um estudo antropológico
sobre trajetórias de mulheres em agências de publicidade no Rio de Janeiro
Gênero, trabalho, trajetórias, publicidadee
Esta pesquisa foi realizada a partir do método biográfico (ou relatos de vida), com a utilização da técnica
snowball sampling. Seguindo um roteiro pré-estabelecido, foram realizadas entrevistas com dez mulheres
publicitárias, na faixa etária entre 30 e 68 anos, em cargos diversos, em diferentes estágios da vida
profissional, origem socioeconômica, estado civil e raça/etnia. Seis delas se declararam heterossexuais e
quatro afirmaram ser homossexuais. As entrevistas foram realizadas individualmente entre os meses de
setembro e novembro de 2018, com duração entre uma e duas horas cada. O objetivo principal foi
investigar, a partir das trajetórias de trabalho de cada interlocutora, o machismo dentro das agências de
publicidade na cidade do Rio de Janeiro. Por meio da apresentação dos relatos, abordo o gênero como um
marcador da diferença dentro da profissão; a herança do patriarcado presente na diferença de salário entre
mulheres e homens, mesmo desempenhando funções semelhantes; a preponderância masculina nos cargos
de liderança; os indícios de racismo ainda presentes no mercado de trabalho da Publicidade; a rotina de
assédio moral e sexual na rotina de trabalho; a dupla jornada que sobrecarrega as mulheres que também
são responsabilizadas pelo cuidado com as crianças e os idosos e, ainda, a falta de sororidade neste
universo profissional.