“LIMPANDO” A LAMA DOS DESASTRES DA MINERAÇÃO? ESTRATÉGIAS CORPORATIVAS
DE IMAGEM vs. NARRATIVAS DAS POPULAÇÕES ATINGIDAS
Samarco; A Sirene; Desastre de Mariana; Estratégias corporativas.
Esta pesquisa investiga as estratégias corporativas de imagem utilizadas pela mineradora Samarco
após o desastre-crime de Mariana (2015), em contraste com a narrativa produzida pelos próprios
atingidos no jornal A Sirene. O objetivo central é compreender como a empresa apresenta sua
imagem publicamente e quais elementos mobiliza para gerenciar sua reputação diante de um
evento de grande repercussão negativa.
A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e se organiza em dois eixos principais. O primeiro
consiste na revisão bibliográfica e documental para caracterizar a Samarco e contextualizar o
desastre. O segundo eixo é a análise comparativa de conteúdos: de um lado, os materiais
publicados no site oficial da Samarco, com foco especial na seção “Reparação” com um recorte na
linha do tempo de 10 anos do desastre; de outro, as edições do jornal A Sirene, criado por
atingidos e apoiadores para contar a versão dos fatos a partir de quem sofreu diretamente as
consequências do rompimento da barragem do Fundão.
A análise feita leva à indicação de que ao construir a narrativa de empresa proativa, resoluta e
comprometida com a reparação, ela tenta ocupar o cargo de protagonista da solução, enquanto o
jornal A Sirene, expões lacunas, os atrasos, as violências que marcaram o processo de (não)
reparação ao longo de uma década.