Crioulizando o Pensamento Social Brasileiro: um diálogo decolonial com Sérgio Buarque de Holanda, a partir
da leitura invertida do clássico “Raízes do Brasil”
Sérgio Buarque de Holanda; Pensamento Social Brasileiro; Pensamento Decolonial;
Diálogo imaginário; Intelectuais e Ideias.
Este trabalho segue os pressupostos e pistas encontrados em minha pesquisa de mestrado, para um
diálogo decolonial (THOBIAS, 2020) com Sérgio Buarque de Holanda, a partir da releitura crítica do
clássico “Raízes do Brasil”. Desta vez, realizo a leitura invertida (TORRES-GARCIA, 1941) da obra,
contribuindo para trazer ao debate intérpretes do Brasil invisibilizados e subestimados pelo Pensamento
Social Brasileiro e que vem sendo reivindicados como decoloniais, por seu posicionamento crítico à
modernidade ocidental, à colonialidade e ao racismo. Construo, a partir daí, um diálogo imaginário
(BURAWÖY, 2010) entre Sérgio Buarque, Lélia Gonzalez, Ailton Krenak e Paulo Freire. Espera-se que
essa interlocução, tanto pelas aproximações quanto pelos afastamentos, possa contribuir para a
crioulização (GLISSANT, 2005) do Pensamento Social Brasileiro, promovendo a abertura teórico-
metodológico-epistemológica do campo para intelectuais e ideias amefricano-confluentes
(GONZALEZ, 2020; BISPO DOS SANTOS, 2023). Trata-se de uma pesquisa teórica, bibliográfica,
articulando teoria social, Pensamento Social Brasileiro e pensamento decolonial. Minha hipótese central
é de que o Pensamento Social Brasileiro pode crioulizar-se, a partir de interpelações críticas decoloniais.
A questão de pesquisa concentra-se no impacto que a articulação do pensamento de Paulo Freire, Lélia
Gonzalez e Ailton Krenak pode produzir em nosso pensamento social e político. Nesse sentido,
pesquisar as contribuições desses autores tem o potencial de renovar os estudos e pesquisas do campo.
O objetivo geral da pesquisa é desenvolver um exercício teórico e de pensamento que se utilize e se
articule às recentes discussões sobre (de)colonialidade. Para isso, como objetivos específicos proponho
apresentar as possibilidades de diálogo decolonial da obra “Raízes do Brasil”; situar essa proposta de
diálogo no contexto da renovação teórico-metodológico-epistemológica promovida por teorias
insurgentes, com sua desobediência epistêmica (MIGNOLO, 2008), nas ciências sociais; chamar a
atenção para alguns aspectos das ideias de Paulo Freire, Lélia Gonzalez e Ailton Krenak; articular o
pensamento destes autores; e verificar os efeitos dessa articulação no Pensamento Social Brasileiro,
tendo Sérgio Buarque e “Raízes do Brasil” como chave de entrada.