Estado e classes dominantes sob a égide do capital financeiro: o posicionamento da
Confederação Nacional da Indústria frente às políticas econômicas do Partido dos Trabalhadores
(2003-2016)
Financeirização; Partido dos Trabalhadores; Empresariado; Classes dominantes;
Hegemonia.
Esta pesquisa visa estabelecer uma compreensão acerca da interação entre Estado e classes
dominantes a partir do contexto de financeirização do capitalismo na periferia. Mobilizando
categorias gramscianas e poulantzianas como hegemonia, frações de classe e Estado Ampliado,
visa-se corroborar a hipótese central do estudo, que consiste na arguição de que, durante os
governos do Partido dos Trabalhadores, houve precedência do capital financeiro frente aos demais
segmentos da classe dominante. Como complemento a esta conjectura, afirma-se que o componente
dialético deste processo implicou na internalização do nexo ideológico das frações rentistas pelos
segmentos atrelados ao capital industrial, conformando, então, uma relação de hegemonia. A
conformação macroeconômica de cunho ortodoxo, caracterizada pelas metas fiscais, câmbio
flutuante e, principalmente, pela centralidade do controle inflacionário nas políticas monetárias –
corriqueiramente denominada de tripé macroeconômico – será aqui considerada como elemento
central para a construção do consentimento intra-classe e proeminência do capital financeiro. Dessa
forma, serão efetuadas análises sistemáticas dos relatórios anuais, mapas estratégicos e
pronunciamentos da Confederação Nacional da Indústria, bem como das manifestações de seus agentes frente às políticas econômicas do Partido dos Trabalhadores.