“O homem negro nos Racionais MCs: uma etnografia da masculinidade subalterna”
masculinidade, subalternidade, homem negro, hip-hop, Racionais MCs
Meu objetivo nessa dissertação é entender quem é o homem negro construído pelos Racionais, qual sua relação com a sua quebrada e com seus pares, de que forma constrói laços de alteridade e solidariedade e como tudo isso influencia na hierarquização das masculinidades dentro da território idílico que o grupo constrói. Para isso, alem das letras de algumas músicas selecionadas, a performatividade é um aspecto importantíssimo. Como dois dos seus membros, Mano Brown e KL Jay, performam o papel do homem negro na vida real e como isso se traduz lírica e musicalmente em representações.
Todo o discurso produzido pelo grupo mostra de forma inequívoca alguns aspectos relativos a quem enuncia; dois desses aspectos – ser homem e ser negro – dão substância a um sujeito que se localiza em um lugar específico – a periferia – tanto física quanto simbólica. Procuro resgatar aqui a relação do hip-hop com a contracultura, seu papel enquanto mecanismo de resistência e de que forma os descendentes dos negros escravizados, portadores da dupla consciência, utilizam o rap para reclamar as promessas não cumpridas pela Modernidade, liberdade, igualdade e fraternidade. Além disso, busquei entender de que forma as expectativas de ser homem e as barreiras por ser negro influenciam esse sujeito e suas representações.