Interpretações da Representação Política: estudo das tensões entre escolha e deliberação
Teoria Democrática; Representação Política; Comportamento Eleitoral; Apatia Política; Crise.
Este trabalho analisa algumas das feições e traços que aparecem na teoria democrática e que a
conectam com a representação política. Noções como “igualdade”, “confiança” e “legitimidade”
são encaradas aqui como elementos que possuem lastro na democracia antiga de Atenas e que
seguiram sendo problematizados pelos modernos. Para isso, o trabalho faz uma revisão
bibliográfica, buscando uma aproximação das obras de alguns dos autores da filosofia política
clássica e da ciência política moderna. Com o intuito de analisar as origens das acusações de
“crise da representação”, o trabalho avança no estudo do método eletivo e do comportamento
eleitoral, dando atenção ao momento decisório da atividade deliberativa e a evolução deste lapso
na temporalidade política. A partir da autorização eleitoral, buscou-se defrontar dois estudiosos
do pensamento político contemporâneo. Bernard Manin e Nádia Urbinati são filósofos políticos
que se especializaram no debate da representação, onde adotaram posições distintas em relação
à provável interseção entre a democracia e a representação. Enquanto Manin adere a uma visão
minimalista da democracia, conferindo à escolha eleitoral o cerne das interações dos cidadãos,
Urbinati tenta ampliar a temporalidade, posicionando os cidadãos como sujeitos mobilizadores
do discurso público. Em suma, o trabalho visa demonstrar como tais visões da democracia
contemporânea seguiram situando a sociedade civil dentro de uma certa “apatia política”,
perspectiva fundante do governo representativo.