Viagem (via Hollywood) ao cinema brasileiro: Alex Viany e a questão do realismo no segundo
pós-guerra (1945-1949)
Alex Viany; cinema brasileiro; neorrealismo; Partido Comunista Brasileiro; segundo pós-guerra.
A presente dissertação procura enforcar a renovação do pensamento cinematográfico brasileiro
no segundo pós-guerra. Para este fim, acompanhamos a trajetória do crítico de cinema Alex
Viany desde o início de sua carreira,no jornal Diário da Noite (1935-36) e na revista Carioca
(1937-45), atravessando os anos em que atuou como correspondente em Hollywood para a revista
O Cruzeiro (1945-48), até o retorno ao Brasil, quando passou a colaborar na revista A Cena Muda
(1949-51) e a editar, em parceria com Vinícius de Moraes, a revista Filme (1949). Trata-se de
uma fase pouco estudada em sua produção crítica, a qual permitiu-nos avaliar as diferentes
respostas de Alex Viany diante das alternativas apresentadas no cenário político e
cinematográfico da segunda metade dos anos 1940. Seguindo o caminho inverso da pesquisa de
Arthur Autran, que analisa a produção crítica de Alex Viany entre o retorno dos Estados Unidos,
no final de 1948, e a publicação do livro Introdução ao Cinema Brasileiro, em 1959, buscamos
discutir o modo como as noções de determinação (da linha política partidária) e mediação (do
“campo” da crítica cinematográfica), assim como as análises ideológicas que informaram o
estudo do referido comunicólogo, produziram uma redução do pensamento cinematográfico de
Alex Viany ao “arcabouço ideológico”do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Neste sentido, o
estudo da trajetória intelectual pregressa de Alex Viany visa resgatar a dimensão política de sua
agência e reavaliar a formação de um discurso realista em seu pensamento cinematográfico.