O PAPEL DA COMUNICAÇÃO SOCIAL PARA A INTEGRAÇÂO DE SABERES TRADICIONAIS NA IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS AGRÍCOLAS INTEGRADOS PARA MITIGAÇÃO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO BRASIL
Mudanças Climáticas, Comunicação, Saberes Tradicionais.
A manifestação das mudanças climáticas tem ocorrido de forma cada mais frequente e extrema. Embora estes episódios atinjam a sociedade como um todo, a parcela da população mais vulnerável ainda é a mais afetada, independentemente do país, entre os quais os povos e comunidades tradicionais, como quilombolas e indígenas no Brasil. A emergência climática exige que uma nova governança ambiental seja estabelecida, na qual todos os atores da sociedade tenham espaço para debater a questão climática e para contribuir com o desenvolvimento de soluções. Neste contexto, a integração dos chamados saberes ecológicos tradicionais e a Ciência é ferramenta fundamental para corrigir desigualdades históricas e ampliar o efeito das medidas de mitigação das mudanças climáticas, favorecendo o avanço dos esforços para atingir as metas propostas pela Agenda 2030. Este trabalho propõe a utilizada de uma cartilha de comunicação, pautada no exercício de dinâmicas de diálogo para favorecer a implementação de diferentes sistemas de conhecimento em projetos de desenvolvimento voltados para implementação de sistemas agroecológicos integrados. Este produto é fruto de uma robusta revisão bibliográfica sobre a relevância da Comunicação Social, seu impacto para a divulgação científica e potencial para ser utilizada como ferramenta de integração de saberes e, consequentemente, de inclusão das comunidades tradicionais no debate de soluções para a crise climática, ampliando assim o impacto das ações de mitigação. Essa proposta também teve como base a análise do Projeto Rural Sustentável Caatinga (PRS Caatinga), iniciativa do Governo Britânico em parceria com o Ministério de Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa), que promoveu a adoção das Tecnologias Agrícolas de Baixo Carbono (TecABC) potencializadas pelas Tecnologias Sociais de Convivência com o Semiárido por produtores familiares rurais de 31 municípios de cinco estados do semiárido brasileiro. Esta junção foi possível graças a um trabalho ativo de comunicação social junto às 20 entidades beneficiárias do projeto. Essa experiência definiu a estrutura da cartilha de comunicação social, dividida em duas partes: a primeira trazendo conceitos sobre comunicação social, seu desenvolvimento e impacto para a sociedade; a segunda com exercícios práticos para serem aplicados em todas as fases do projeto, de forma a propiciar um ambiente menos hierárquico e propenso a uma colaboração equitativa entre todos os grupos participantes do projeto.