A retextualização de entrevistas como proposta de ensino de produção textual: do oral para o escrito
Ensino de produção textual. Fala. Escrita. Retextualização
O ato da comunicação é uma necessidade intrínseca do ser humano, o qual se realiza por meio da linguagem. Dentre as suas múltiplas formas de manifestação – não verbais e verbais –, a língua é o instrumento mais usual. Ela se realiza oralmente ou por escrito, sendo duas formas distintas de concretização da língua. Embora distintas, fala e escrita são interdependentes, apresentando-se numa relação de continuidade. Pautado nessa premissa, o presente trabalho tem como objetivo geral apresentar uma sequência didática de produção textual com base na retextualização de entrevistas, tendo o texto oral como ponto de partida para a sua forma escrita. Os objetivos específicos são: identificar as características intrínsecas de cada modalidade, a partir de atividades que explorassem a relação de continuidade entre oralidade e letramento (BORTONI-RICARDO, 2004; MARCUSCHI, 2010); esclarecer ao aluno que a escrita é um processo realizado em etapas; explorar a utilização dos termos coesivos – especificamente os de função referencial – e de elementos dêiticos no processo de construção da coerência textual (ANTUNES, 2005). Esta proposta de intervenção é uma pesquisa-ação, a qual foi desenvolvida com uma turma de oitavo ano de uma escola da Rede Municipal do Rio de Janeiro. Da análise dos dados, conclui-se que os alunos percebem que há distinções entre fala e escrita, mas ainda é possível identificar em seus textos algumas marcas típicas da primeira, o que reforça a relação de continuidade entre as modalidades. Também se conclui que o ensino dos critérios de textualidade – especialmente a coesão, que repercute na coerência – deve ser uma prática sistemática e reiterada.