Do sujeito pronominal pleno ao nulo na escrita de estudantes do 6º ano do ensino fundamental
sujeito pronominal; variação; contínuo oralidade-letramento.
Estudos sociolinguísticos sobre a modalidade oral do Português Brasileiro vêm demonstrando um crescente preenchimento do sujeito pronominal (Duarte, 1993; Bravin dos Santos, 2006; 2010). No entanto, a escrita praticada pelos brasileiros letrados em eventos de letramento ainda conserva o sujeito nulo, visto que é influenciada por instrumentos normativos, que prescrevem a elipse. Com base nos pressupostos teóricos da Sociolinguística Variacionista (Weinreich; Labov; Herzog, 2006 [1968]) e suas contribuições ao ensino (Bortoni-Ricardo, 2004, 2005), este trabalho tem como objetivo geral oferecer uma contribuição à abordagem da variação linguística nas aulas de Língua Portuguesa, segundo as recomendações da Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017), de forma a contemplar não apenas os casos com forte avaliação social, mas qualquer fenômeno variável, mesmo os não estigmatizados, como a realização do sujeito pronominal. Como objetivo específico, busca-se elaborar uma mediação didática ancorada em atividades linguísticas e epilinguísticas (Franchi, 2006) como forma de tematizar a variação linguística quanto à realização do sujeito pronominal de primeira pessoa do singular em textos distribuídos em um contínuo de oralidade-letramento. O caminho metodológico adotado foi o da pesquisa-ação (Tripp, 2005; Thiollent; Colette, 2014). Os resultados mostraram que a mediação pedagógica foi exitosa, visto que houve incremento considerável na frequência do sujeito nulo na escrita dos alunos, de 34% na produção textual diagnóstica para 67% na produção final, de forma que eles se aproximaram das práticas de escrita da sociedade letrada brasileira.