Retextualização do escrito para o oral: da crônica para o Podcast
Retextualização; crônica; podcast.
Esta pesquisa busca favorecer o envolvimento e a participação ativa com o letramento literário e social dos alunos do oitavo ano do ensino fundamental de uma escola pública da rede municipal de Petrópolis, Rio de Janeiro. Diante dos desafios educacionais e baixos índices no Sistema de Avaliação da Educação Básica, o estudo destaca a necessidade de envolver os alunos ativamente no processo educacional. O objetivo geral é desenvolver atividades de leitura do gênero crônica e produção de podcast, integrando experiências literárias à expressão oral a fim de proporcionar um ambiente que estimule a prática crítica e reflexiva do letramento literário e social. Os objetivos específicos incluem promover confiança no desempenho escrito e oral por meio de atividades de retextualização; valorizar a produção cultural local por meio do gênero crônica; explorar as características estruturais e linguísticas dos gêneros crônica e podcast; incentivar o uso consciente de tecnologias; refletir sobre o papel da literatura na sociedade e analisar como práticas de leitura podem aprimorar a escuta no Ensino Fundamental II, focando em estratégias que estimulem a compreensão oral e a interação. Inicialmente, os alunos foram introduzidos ao livro "A Vida Não É Justa" de Andrea Pachá, ex-juíza na vara da família. A leitura integral das crônicas foi o ponto de partida para a criação de um podcast, envolvendo a retextualização dos textos dramáticos. A pesquisa é de natureza qualitativa e buscou explorar comportamentos humanos em contextos sociais complexos, contribuindo para a comunidade acadêmica e o ensino de língua portuguesa. A pesquisa-ação foi adotada para envolver ativamente professores e alunos no processo de ensino e aprendizagem, visando gerar conhecimento empírico para intervir e modificar a realidade coletiva, conforme destacado por Thiollent (2008, 2011). A proposta fundamenta-se nas contribuições da linguística textual, com base em Marcushi (2008; 2010) e Santos (2020), além de se apoiar na pedagogia dos multiletramentos, conforme Rojo e Moura (2012), e nas orientações da Base Nacional Comum Curricular (2018). O projeto foi cuidadosamente planejado e estruturado em etapas interconectadas para garantir sua organização e eficiência. Os resultados mostraram que atividades de leitura bem delineadas e desafiadoras aumentam o engajamento dos alunos, que superaram as expectativas ao longo do processo. Desde as rodas de leitura até a gravação e divulgação das crônicas, os estudantes demonstraram comprometimento, criatividade e superação de desafios. O projeto não apenas inovou o ambiente escolar, mas também ampliou as possibilidades de expressão e produção dos alunos, reafirmando o papel transformador da educação, mesmo em contextos adversos. Ao longo da pesquisa, surgiram desafios relacionados à participação de alunos com necessidades especiais, especialmente na etapa de gravação, devido a dificuldades na fala. Para garantir a inclusão de todos, as atividades foram adaptadas, possibilitando uma participação efetiva na construção do projeto. A repercussão ultrapassou os limites da escola, alcançando a comunidade escolar, as famílias e o público de podcast.