Interface morfologia-fonologia na aprendizagem do emprego dos grafemas l e u em contexto pós-vocálico
Variação. Ortografia. Contextos competitivos. Ensino.
Dentre os aspectos característicos do português brasileiro, destaca-se a diversidade no campo fonético-fonológico, fenômeno que perfaz as diferentes variedades linguísticas representativas de cada região do país. Essa diversidade na língua muitas vezes se reflete na aprendizagem da escrita, de modo que é comum, no momento da alfabetização, a ocorrência de desvios ortográficos ocasionados pela “falta de correspondência entre o sistema de fonemas e o sistema de grafemas” (CALLOU; LEITE, 1995, p. 45). Um dos fenômenos fonético-fonológicos que afeta a aprendizagem da grafia padrão no Brasil é a vocalização da consoante lateral /l/ em posição final de sílaba (coda), como em saltar [w] e Brasil [w], que ocorre na fala da maioria dos estados do país (CALLOU; LEITE; MORAES, 2007), inclusive no Rio de Janeiro, onde se desenvolve a presente pesquisa. Para sanar questões ortográficas, pode-se lançar mão do componente morfológico da gramática, conforme orientam os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) e a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017). Nesse sentido, este projeto busca desenvolver estratégias, por meio da interface fonologia e morfologia, que favoreçam o ensino e a aprendizagem do uso dos grafemas l e u em final de sílaba. Defende-se que um ensino sistêmico, que leve o aluno a compreender quando usará um grafema ou outro segundo aspectos morfológicos, gera uma habilidade permanente, visto que não é um processo meramente mecânico, baseado somente na memorização.