Proposta de abordagem da indeterminação de referência genérica no ensino fundamentall
Morfossintaxe, Variação, Indeterminação, Ensino
Com base nas contribuições da Sociolinguística Variacionista ao ensino (COAN; FREITAG, 2010; VIEIRA; FREIRE, 2014), como os contínuos de variação linguística propostos por Bortoni-Ricardo (2004), este trabalho desenvolveu uma mediação pedagógica com o fenômeno variável da indeterminação de referência genérica em uma turma de 8º ano do ensino fundamental de uma escola municipal de Barra Mansa-RJ. Segundo pesquisas sociolinguísticas (cf. DUARTE, 2007; MARINS, SOARES DA SILVA; DUARTE, 2017), no Português do Brasil, competem com a tradicional estrutura de indeterminação de referência genérica (se + verbo na 3ªp.s.) outras variantes constituídas por formas pronominais plenas, como você e a gente, muito frequentes na modalidade oral. Por outro lado, a escrita brasileira ainda exibe alta frequência da variante tradicional juntamente com o uso da forma verbal associada a nós com a posição de sujeito não preenchida (cf. DUARTE; FREIRE, 2014). Assim, foram promovidas atividades de leitura e produção de textos organizados num contínuo oralidade-letramento, culminando com a retextualização de um relato de opinião da fala para a escrita. Os objetivos foram estes: (i) fazer um levantamento das estruturas de indeterminação do agente de referência genérica presentes nos textos dos alunos, descrevendo seu comportamento linguístico em cada produção textual; (b) levar esses mesmos alunos ao emprego das variantes de indeterminação prestigiosas em seus textos escritos, de acordo com o contexto comunicativo. Os resultados demonstraram que os alunos não só identificaram a distribuição das variantes de indeterminação ao longo do contínuo, mas também conseguiram operar com as duas variantes prestigiosas de indeterminação, nós e se, no texto situado no campo do letramento do contínuo, conforme as práticas de escrita dos brasileiros cultos em eventos de comunicação com o traço de letramento. Por conseguinte, ao abordar a indeterminação como um fenômeno variável, a mediação pedagógica representou uma proposta concreta de trabalho com a variação linguística em sala de aula, em consonância com as orientações oficiais para o ensino de Português, como a BNCC (BRASIL, 2018).