CONSTRUINDO COMPETÊNCIAS E HABILIDADES RELACIONADAS AO CONTEÚDO DE VISTAS ORTOGONAIS EM GEOMETRIA: uma experiência com material concreto em uma turma de 9º ano de uma escola pública da cidade do Rio de Janeiro
Ensino de Matemática, Projeção Ortogonal, Material Lúdico.
Neste trabalho, são relatadas experiências pedagógicas para o ensino de conteúdos da unidade temática Geometria. Os saberes deste campo são fundamentais para a formação do aluno do Ensino Fundamental e serão aprofundados ao longo de todo o Ensino Médio, constituindo cerca de 24% das questões de Matemática aplicadas nas edições do ENEM entre 2009 e 2018. Conforme definido nos últimos anos pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), o currículo escolar da educação básica deve estar atualizado para incluir o trabalho com o conteúdo “vistas ortogonais” em conformidade com a BNCC, no último ano do Ensino Fundamental; contudo, verifica-se ainda a necessidade de refletir e elaborar estratégias que auxiliem professor e estudantes nos processos de ensino-aprendizagem deste conteúdo na rede pública de ensino da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, onde não constam orientações para o desenvolvimento da habilidade de “Reconhecer vistas ortogonais de figuras espaciais e aplicar esse conhecimento para desenhar objetos em perspectivas” (BNCC; EF09MA17). Este trabalho justifica-se diante da necessidade de investigar, propor, testar e avaliar metodologias de ensino e atividades para o desenvolvimento da habilidade relacionada ao conteúdo como caminho para suprir esta lacuna no ensino de matemática nesta rede municipal. Realizou-se aulas e oficinas junto a duas turmas regulares de 9º ano do Ensino Fundamental, da Cidade do Rio de Janeiro, no ano de 2019. Visando analisar as atividades existentes e propor novas práticas pedagógicas, para promover a descoberta de projeções em perspectiva e projeções paralelas. A pesquisa avaliou inicialmente dois grupos de estudantes para, em seguida, estruturar e implementar uma sequência didática junto ao grupo com maior defasagem no sentido de instrumentalizá-lo para melhorar o resultado aferido nos testes sobre o tema. Elaborou-se e aplicou-se uma sequência de atividades com uso de material concreto e desenhos em perspectiva, além de luz e sombra em diferentes práticas na sala de aula. Após cada etapa realizou-se a verificação da aprendizagem por meio de testes elaborados pelo professor. Resultou do pré-teste uma média geral de acertos aproximada entre os grupos controle (GC) e experimental (GE): de cada dez questões, a média de acertos esteve entre 2,7 (GC) e 1,2 (GE), o que evidenciou a lacuna conceitual existente nas Orientações Curriculares das Cidade do Rio de Janeiro. Após a conclusão da sequência didática, o GE resolveu o Teste Final com questões de nível do Ensino Médio retiradas do ENEM e média de 7,3 acertos do total de dez questões; enquanto o GC apresentou média de 4,5 acertos. Tais resultados corroboram que o trabalho pontual com o conteúdo “vistas ortogonais” apresentou resultados efetivos quando se trata de situações-problema que mobilizam diferentes habilidades e competências. Verificou-se que os estudantes do GE demonstraram motivação e dedicação maiores, além da autoestima elevada que os levou a relatar um maior prazer nas aulas de matemática. Atestou-se que os estudantes estão aptos a analisar e produzir transformações e ampliações/reduções de figuras geométricas sólidas. Conclui-se que o conjunto de mudanças da BNCC exige da escola a releitura do seu papel. Sugere-se novos estudos para aprimorar a sequência didática no sentido de auxiliar no diagnóstico das dificuldades e na aceleração necessária para a aquisição desses conhecimentos no período escolar previsto nos documentos normativos nacionais.