Indicação Geográfica da mandioca (Manihot esculenta – Euphorbiaceae), para as microrregiões produtoras do Rio de Janeiro, Brasil
análise de componentes principais; cultura agrícola; geoprocessamento; INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial)
A mandioca (Manihot esculenta - Euphorbiaceae) é uma cultura amplamente difundida no hemisfério sul, reconhecida por sua relevância socioeconômica e alimentar. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o "alimento do século XXI", destaca-se por seu elevado valor energético, contribuindo significativamente para a segurança alimentar de populações em situação de vulnerabilidade. Atualmente, a Nigéria lidera a produção mundial da cultura, enquanto o Brasil ocupa a quinta posição. No contexto brasileiro, onde também é conhecida como aipim ou macaxeira, a mandioca possui forte representatividade cultural e histórica, sendo cultivada desde o período pré-colonial pelos povos indígenas. Trata-se de uma planta versátil e adaptável, com ampla distribuição geográfica no país e grande importância econômica, estando entre os principais produtos agrícolas nacionais em volume e rendimento médio. As raízes são destinadas predominantemente à produção de farinha e amido, além de serem consumidas in natura e utilizadas na alimentação animal. No estado do Rio de Janeiro, o município de São Francisco de Itabapoana é o maior produtor de mandioca e o mais próximo da obtenção da Indicação Geográfica (IG) para a farinha de mandioca. A Indicação de Procedência (IP) e a Denominação de Origem (DO) na legislação brasileira fazem parte das IGs, destinadas a proteger produtos e serviços notáveis que se tornaram conhecidos ou que possuem características específicas vinculadas ao local. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) é responsável pelo registro e reconhecimento das IGs, visando identificar e valorizar produtos regionais brasileiros. A implantação de uma IG é uma importante ferramenta coletiva para que os produtores possam promover os produtos de seus territórios e preservar a qualidade e o prestígio adquiridos ao longo do tempo. Esta pesquisa tem como área de estudo quatro microrregiões produtoras de mandioca no estado do Rio de Janeiro. O principal objetivo é realizar uma análise edafoclimática dessas localidades, por meio da aplicação da técnica estatística de Análise de Componentes Principais (ACP), que tem sido muito utilizada em estudos ambientais e meteorológicos. Buscou-se, com isso, identificar agrupamentos e áreas semelhantes entre os municípios que possam, tecnicamente, justificar a potencialidade da obtenção de uma IG para a mandioca de forma coletiva. Utilizando o geoprocessamento realizou-se a interpolação de todos os dados de precipitação, temperatura, topografia e solos. Em seguida, esses dados foram colocados em tabelas e inseridos no software PAST 4.03 para análise estatística. A ACP mostrou-se eficiente para o objetivo proposto, pois nas duas primeiras análises o CP1 explicou mais de 70% da variância total dos dados e na terceira, os três primeiros componentes combinados, alcançaram o mesmo percentual. Os resultados apontaram dois grupos de municípios com maior semelhança edafoclimática. O primeiro localizado nas microrregiões de Cachoeiras de Macacu e Rio de janeiro, composto por Duque de Caxias, Magé, Guapimirim e Cachoeiras de Macacu e o segundo na microrregião de Campos dos Goytacazes, composto por São Francisco de Itabapoana, Campos dos Goytacazes e Quissamã.