SORÇÃO E DESSORÇÃO DO HERBICIDA PENDIMETALINA EM SOLO E EM PALHA DE CANA-DE-AÇÚCAR
pré-emergente, óleo mineral, óleo vegetal
A descontinuidade do processo de queima da palhada trouxe desafios significativos para as práticas de manejo no cultivo de cana-de-açúcar. Apesar dos benefícios ambientais e agronômicos associados à permanência da palhada no solo, esse sistema de produção pode interferir negativamente na eficiência dos herbicidas no controle de plantas daninhas, principalmente, os aplicados em pré-emergência. Isso ocorre, porque a palha de cana-de-açúcar tanto funciona como uma barreira física quanto interage com as moléculas dos herbicidas, alterando sua dinâmica no ambiente. A sorção corresponde ao principal mecanismo de retenção dos herbicidas à palhada e pode ser favorecida em função das características físico-químicas das moléculas dos herbicidas e da composição química da palhada. Esses fatores também influenciam no processo de dessorção, o qual está associado à liberação das moléculas na solução do solo. A pendimetalina é um herbicida pré-emergente amplamente utilizado no cultivo de cana-de-açúcar no Brasil para controle de gramíneas e algumas plantas daninhas de folhas largas e, por suas características hidrofóbicas, possui elevada capacidade de permanecer retido aos coloides do solo e à palha de cana-de-açúcar. O emprego de adjuvantes em herbicidas pré-emergentes pode alterar sua dinâmica no ambiente, bem como auxiliar na sua eficiência. Dentro dessa perspectiva, o objetivo deste trabalho foi avaliar a sorção e a dessorção, em solo e em palha de cana-de-açúcar, do herbicida pendimetalina isoladamente e em mistura com adjuvante. O ensaio de sorção foi realizado utilizando pendimetalina na formulação EC isoladamente e em mistura com óleo vegetal a 0,1 % (Aureo®), em solução aquosa de CaCl2 a 0,01 mol L-1, com concentrações entre 2,5 e 40 µg mL-1. As soluções foram acondicionadas em tubos de teflon com solo, na proporção de 1:2 (m/v), e com palha de cana-de-açúcar, na proporção 1:50 (m/v), permanecendo em agitação por período de 12 e 24 horas, respectivamente. Após o processo de centrifugação, foram removidas alíquotas do sobrenadante para quantificação da pendimetalina por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE). O ensaio de dessorção foi realizado, descartando-se o sobrenadante dos tubos de teflon e adicionando solução aquosa de CaCl2 a 0,01 mol L-1 sem herbicida. Os tubos permaneceram em agitação pelo período de 24 horas, sendo realizada centrifugação para remoção de alíquota do sobrenadante para leitura por CLAE. Os dados foram submetidos à análise de variância (p ≤ 0,05) e, posteriormente, empregados no software ISOFIT, para obtenção dos parâmetros das isotermas dos modelos de Freundlich e linear. O modelo linear foi o mais adequado para representação das isotermas de sorção e dessorção. O coeficiente de sorção para o solo foi igual a 18, 48 mL g-1 para a pendimetalina na formulação EC isoladamente, enquanto os coeficientes para a palha de cana-de-açúcar foram equivalentes a 355,52 e 27,24 mL g-1 para a formulação EC isoladamente e para o sistema EC + Aureo®. Na dessorção, os valores de Kd obtidos foram superiores aos de sorção, indicando que houve retorno do herbicida para a solução. Portanto, a sorção da pendimetalina na formulação EC isoladamente é significativamente maior quando em mistura com adjuvante, indicando que a adição de adjuvantes na preparação da calda do herbicida pode diminuir sua retenção na palhada e, consequentemente, aumentar a eficiência no controle de plantas daninhas.