TRATAMENTO COMBINADO DE LIXIVIADO DE ATERRO SANITÁRIO E ESGOTO SANITÁRIO COM LODOS ATIVADOS E MONITORAMENTO DE EMISSÃO DE ÓXIDO NITROSO
Chorume, Cotratamento, Gás do Efeito Estufa.
O tratamento combinado de lixiviado de aterro sanitário com esgoto sanitário por processos biológicos usados nas estações de tratamento tem se mostrado uma alternativa econômica e eficaz. No entanto, o lixiviado pode apresentar substâncias tóxicas capazes de comprometer a eficiência do processo, sendo necessário avaliar previamente a relação lixiviado/esgoto a ser adotada. O processo de lodos ativados é amplamente empregado em grandes cidades e por meio de algumas modificações operacionais pode promover a remoção biológica de nitrogênio. Essa é uma característica relevante no cotratamento, uma vez que a adição de lixiviado representa um aporte de material nitrogenado. Um dos problemas na remoção de nitrogênio é a emissão de óxido nitroso (N2O), um gás do efeito estufa. Dessa forma, este trabalho teve por objetivo avaliar o cotratamento de lixiviado de aterro sanitário e esgoto sanitário utilizando um reator em bateladas sequenciais (RBS), além de monitorar as emissões de óxido nitroso. Foi utilizado um reator com volume útil de aproximadamente 35 L que operou com ciclos de 6 horas. O experimento foi conduzido em duas etapas: ETAPA 1 usando somente esgoto sanitário e ETAPA 2 com a adição do lixiviado de aterro sanitário (0,5% v/v). Foi avaliada a eficiência de remoção de matéria orgânica e de nitrogênio antes e após a adição do lixiviado assim como a emissão de N2O durante todo o processo. A adição de lixiviado causou decréscimo da biomassa além de afetar alguns parâmetros operacionais observados (IVL, OD e TCO). O RBS conseguiu remover alguns parâmetros característicos do lixiviado como cor verdadeira (43%) e aparente (88%), bem como ABS 254 (42%), valores elevados quando comparados a outros tipos de processos como carvão ativado. No entanto, a adição de lixiviados levou a redução das eficiências de remoção de DQO, COD e NTK. Na ETAPA 1, as eficiências de remoção de DQO e COD foram de 90% e de 83%, respectivamente, enquanto na ETAPA 2, essas remoções médias foram de 67% e 72%, respectivamente. Em relação à NTK, na ETAPA 1 foi obtida uma remoção de 98% e na ETAPA 2 de 88%. Apesar da redução na eficiência do processo, a adição de lixiviado (0,5% v/v) não comprometeu a qualidade do efluente tratado. No que diz respeito às emissões de óxido nitroso, os fluxos de emissão desse gás foram ligeiramente menores quando o processo operou com adição de lixiviado. Este comportamento foi contrário ao reportado na literatura, provavelmente devido às baixas concentrações de matéria orgânica afluente observadas apenas ao longo da ETAPA 2, aos valores mais elevados de oxigênio dissolvido e ao efeito ligeiramente tóxico do lixiviado à biomassa do lodo. Nas duas etapas as maiores emissões foram medidas no início da fase aeróbia do RBS, estando associadas à produção de óxido nitroso durante o período de sedimentação possivelmente pela atividade de desnitrificação. As massas de N-N2O emitidas pelo RBS foram de 82 mg/ciclo sem lixiviado e de 61 mg/ciclo com lixiviado, logo a presença do lixiviado não representou relevância na emissão deste gás.