ANÁLISE DA MATURIDADE PARA USO AGRONÔMICO DE PRODUTO GERADO DA DESIDRATAÇÃO TÉRMICA E MECÂNICA DE RESTOS DE ALIMENTOS
Substrato, resíduos alimentares, compostagem, índice de germinação, índice de maturidade de composto
O impacto ambiental da produção anual de restos de alimentos desperdiçados é significativo e causa vários impactos negativos ao meio ambiente erosão do solo, emissão de gases do efeito estufa. Uma alternativa de reaproveitamento desses resíduos é utilizá-los como matéria-prima para a compostagem ou para substratos após estabilização fazendo retornar nutrientes e carbono para o solo e cultivos vegetais. Neste sentido, é importante realizar análises de estabilidade e maturidade dos resíduos para garantir a eficiência como substrato. Este trabalho tem como objetivo análise da maturidade de resíduo alimentar processado (RAP) mecanicamente e termicamente para uso como substrato e composto orgânico. Para isso, foram realizadas análises laboratoriais para determinar o pH, a Condutividade Elétrica, e composição química do biochar e do RAP para a determinação dos teores de carbono, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio. Para análise de estabilidade e maturidade, foram realizados os testes nos materiais sólidos, sendo eles: RAP e biochar, substrato comercial carolina, o composto orgânico organosolo e vermiculita. Testes de germinação com sementes de pepino (Cucumis sativus) foram realizados em duas etapas, primeiro utilizou-se sementeiras com 36 células com quatro tratamentos: T1): vermiculita, vermiculita + RAP, carolina; T2) vermiculita, vermiculita + RAP + biochar 400 ° C + carolina; T3:) vermiculita, vermiculita + organosolo, carolina. Posteriormente, foram observadas os Índices de Germinação através do número de sementes germinadas. O delineamento experimental foi Inteiramente Casualizado, com três tratamentos e três repetições. O segundo teste de germinação foi realizado em Placas de Petri em que se baseia na análise da germinação da semente de pepino no extrato do composto, onde são analisados os índices de Germinação com base no número de plântulas. Por fim, analisou-se a estabilidade dos compostos através do teste de respirometria, que determinou as emissões de CO2 e NH3 dos materiais sólidoss em NaOH e H3BO3. Os testes laboratoriais demonstraram que os valores de CE e pH do RAP apresentaram características químicas e físicas indesejáveis como composto orgânico. Foram observadas diferenças significativas nos IG% (IG% peso, comprimento e área foliar) dos tratamentos T1 e T2, onde utilizou-se RAP sozinha e com biochar a 400°C. No teste de sementeiras não houve emergência das sementes, indicando que o produto apresenta fitotoxicidade. Nos testes em placa de Petri, o IG% da RAP, apresentou um valor de 88% de germinação, indicando maturidade, germinação In-vitro e alongamento da raíz, porém os IG% peso e comprimento, apresentaram percentuais que são considerados baixos. No teste de estabilidade, a RAP não apresentou emissão de CO2. O material RAP apresentou fitotoxicidade e características químicas indesejáveis para um fertilizante orgânico ou substrato de mudas de plantas, isto é, o material é inadequado para uso como substrato em viveiros e apresenta limitação para aplicação no solo agrícola como fertilizante orgânico.