CARACTERIZAÇÃO DA RESISTÊNCIA, CUSTO ADAPTATIVO E HABILIDADE COMPETITIVA DE BIÓTIPOS DE ELEUSINE INDICA
capim-pé-de-galinha; controle químico; custo adaptativo; competição; soja
O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é uma das principais plantas daninhas dos sistemas agrícolas, apresentando ampla distribuição e crescente ocorrência de biótipos resistentes aos herbicidas inibidores da EPSPS e da ACCase. Além de comprometer o manejo químico, a resistência pode estar associada a alterações no crescimento, na adaptação e na capacidade competitiva das plantas daninhas. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a resistência de biótipos de E. indica aos herbicidas glifosato, clethodim e haloxifope, bem como avaliar possíveis custos adaptativos e a habilidade competitiva dos biótipos resistentes. Foram conduzidos experimentos com os seguintes objetivos específicos: Capítulo I, caracterizar a resposta de um biótipo suscetível e quatro biótipos resistentes aos herbicidas glifosato, clethodim e haloxifope; Capítulo II, comparar o crescimento, o desenvolvimento e a produção de sementes dos biótipos em condições livres da aplicação de herbicidas; Capítulo III, avaliar a habilidade competitiva da soja em relação aos biótipos de E. indica. Os resultados confirmaram a resistência ao glifosato em três biótipos, ao clethodim em quatro e ao haloxifope em três, evidenciando casos de resistência cruzada aos inibidores da ACCase e de resistência múltipla aos inibidores da ACCase e da EPSPS (Capítulo I). Na avaliação do custo adaptativo, os biótipos resistentes apresentaram desempenho semelhante ao suscetível para a maioria das características analisadas. Embora tenham sido observadas diferenças pontuais entre alguns biótipos, não foram encontradas evidências consistentes de penalidade adaptativa associada à resistência (Capítulo II). Nos experimentos de competição, a soja apresentou maior habilidade competitiva que todos os biótipos avaliados. A resposta da cultura foi semelhante na presença dos biótipos suscetível e resistentes, não sendo observadas diferenças consistentes entre eles quanto à capacidade de competir com a soja. A competição intraespecífica foi mais prejudicial para a cultura, enquanto a competição interespecífica exerceu maior efeito sobre o crescimento dos biótipos de E. indica (Capítulo III).