REAPROVEITAMENTO ENERGÉTICO DOS RESÍDUOS DA CAFEICULTURA PARA PRODUÇÃO DE MUDAS DE ESPÉCIES FLORESTAIS
sustentabilidade; reaproveitamento; agrofloresta; biodigestor.
A análise dos sistemas agrícolas atuais revela expressivas diferenças de eficiência produtiva entre pequenas e grandes propriedades rurais. No caso do estado do Rio de Janeiro, verifica-se a predominância de pequenos produtores, geralmente caracterizados por recursos financeiros restritos e infraestrutura limitada, fatores que dificultam o atendimento às demandas crescentes por produtos agrícolas sustentáveis e de alta qualidade. Os resíduos provenientes da casca do café correspondem a cerca de 45–55% do peso fresco do fruto e, embora uma fração seja empregada em compostagem ou na produção de ração animal, sua maior parte é descartada
sem tratamento adequado, resultando em relevantes impactos ambientais. Nesse cenário, a economia circular surge como alternativa estratégica, ao propor o aproveitamento de resíduos agroindustriais como insumos em novos processos produtivos, capazes de reduzir impactos ambientais e agregar valor econômico. Dentre as alternativas de reaproveitamento dos resíduos gerados pela atividade agrícola, a digestão anaeróbia, especialmente na forma de co-digestão, possibilita a geração de um digestato enriquecido em nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio. De uma maneira geral, o digestato apresenta elevado potencial agronômico, podendo ser utilizado como biofertilizante, favorecendo o fechamento de ciclos produtivos e a redução da dependência de insumos sintéticos. Adicionalmente no contexto da propagação vegetal, os substratos obtidos a partir de resíduos agrícolas representam solução viável para substituir ou complementar o solo, fornecendo suporte físico e nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas, visando a produção de mudas florestais das espécies cedro australiano (Toona ciliata var. australis) e gliricídia (Gliricidia sepium). Diante do exposto, o presente estudo visa a recuperação e o aproveitamento energético dos resíduos produzidos nos processos de
despolpamento do café, visando avaliar seu potencial para a produção de biofertilizantes e como componente para formulação de substrato para mudas de espécies florestais.