Risco à desertificação no estado do Rio de Janeiro com utilização de geotecnologias
Degradação ambiental, derivações antrópicas, geoprocessamento
A desertificação é um processo atrelado a degradação da Terra, devido as atividades antrópicas, e, ou a fatores naturais, como a variabilidade climática. A desertificação afeta cerca de dois terços dos países do mundo, e tem implicações nos setores econômico, social e ambiental, além de diminuir a qualidade de vida humana. O estado do Rio de Janeiro apresenta variabilidade climática espacial e temporal e diversificadas atividades econômicas. Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi identificar áreas de risco à desertificação no estado do Rio de Janeiro, com base nos indicadores físicos (clima, solo, uso e ocupação da Terra, vegetação, características do relevo, unidades de conservação e geomorfologia) e na determinação de um índice de Áreas Ambientais Sensíveis (ESAI). Para determinar o ESAI, foram calculados os índices intermediários: Índice Físico de Qualidade do Solo (PLQI - geomorfologia, tipo de solo e declividade), Índice de Manejo do Solo (MQI – unidades de conservação e uso e ocupação da Terra), Índice de Qualidade do Clima (CQI – chuva, índice de aridez e orientação do relevo). A partir desses índices intermediários, foi possível obter o ESAI, para as mesorregiões de governo e para os municípios. As faixas de risco adotadas foram: baixa, moderada e alta susceptibilidade calculadas para cada índice intermediário e para o ESAI. A maior parte do estado foi classificado como não susceptível à desertificação. A região Norte apresentou a maior porcentagem da classe de baixo risco (57,85 %), seguidas da região Noroeste (31,96 %), Metropolitana (25,43 %), Baixadas (10,96 %) e Serrana (3,28 %). Para classe moderada, apresentaram maiores porcentagem a região Noroeste (26,66 %), Norte (57,85 %), Serrana (2,60 %), Metropolitana (1,98 %) e Baixadas Litorâneas (0,60 %). Em relação aos municípios que apresentaram algum grau de susceptibilidade, destaca-se São João de Meriti com a maior porcentagem de áreas de baixa susceptibilidade (99,36 %) e municípios de Cardoso Moreira com maior classe de susceptibilidade moderada (48,02 %). O método foi eficiente em determinar áreas susceptíveis à desertificação, e serve como alerta para necessidade de medidas mitigadoras ou de adaptação aos processos de degradação ambiental.