ANÁLISE DOS CENÁRIOS DO EVENTO CLIMÁTICO EXTREMO DE PRECIPITAÇÃO NOS MUNICÍPIOS DE NOVA FRIBURGO E TERESÓPOLIS E SEU IMPACTO NA AGRICULTURA
geoprocessamento, gestão de riscos, modelagem climática, produção agrícola.
As mudanças climáticas são definidas por variações estatísticas de processos climáticos, e têm sido observadas com maior frequência e intensidade, resultando em eventos extremos. O relatório do IPCC (2023) destaca a influência humana, principalmente pelas emissões de gases de efeito estufa na intensificação destes eventos em escala mundial. As previsões climáticas indicam aumento de eventos extremos na América Latina, com variações no regime hídrico e noites mais quentes. No Brasil, especialmente no Sudeste (localidade de estudo), as influências climáticas complexas causam chuvas extremas. Esses eventos desencadeiam problemas econômicos, sociais e ambientais, que podem vir a afetar a segurança alimentar e saúde pública. Com esse cenário recorrente, aumenta-se a necessidade de estudos sobre os impactos das chuvas extremas em áreas de produção agrícola por meio das análises de séries históricas utilizando-se das ferramentas de Sistema de Informação Geográfica (SIG), buscando ações de prevenção e mitigação aos riscos de erosão (perda de solo) e desregulação dos ecossistemas. Foram selecionadas 92 propriedades agrícolas nos municípios de Nova Friburgo e Teresópolis via dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), no estado do Rio de Janeiro, propriedades estas localizadas na região de ocorrência da tragédia do dia 12 de janeiro de 2011 onde constatou a precipitação de 220 mm em 10 horas para a região serrana, tendo Nova Friburgo detectado um volume de 281,6 mm em 8 horas. Após análise das propriedades, verificou-se que 39 delas (totalizando 1.800 ha) tiveram suas áreas afetadas devido à ocorrência de chuvas intensas (imagens matriciais contendo a localização dos deslizamentos e inundações), obtendo uma extensão de destruição de 74,85 ha (polígonos). Destas áreas impactadas, extraíram-se os limites das culturas agrícolas obtidas via dados do IBGE para as localidades em estudo, onde estimou uma perda de área cultivada (produção agrícola analisada) de 11,44 ha, no total. Análises realizadas em imagens atuais (2024) apresentaram propriedades que continuaram suas atividades agrícolas nas regiões que sofreram os impactos de 2011, porém, outras propriedades adequaram estas regiões quanto à regeneração da área pós-desastre, recuperando estas áreas por meio da regeneração florestal, removendo o cultivo agrícola e assim readequando a propriedade para novos sistemas de cultivo e produção. As projeções futuras (eventos climáticos) realizadas na pesquisa pelos modelos MIROC6 e CanESM5 indicaram que esse cenário de chuvas extremas poderão acorrer novamente. Para a região de Teresópolis, estimou-se para o ano de 2058 uma precipitação de 857,56 mm. Para a região de Nova Friburgo estimou-se para o ano de 2058 uma precipitação variando de 754,22 a 805,06 mm. Os resultados apresentados destacam a importância da análise climática para a adaptação da agricultura e a gestão de riscos quanto à prevenção, preparação e mitigação dos possíveis impactos sobre as propriedades rurais analisadas. Esta pesquisa promove subsídios para decisões estratégicas, contribuindo para a sustentabilidade e resiliência destas propriedades em Nova Friburgo e Teresópolis, auxiliando na tomada de decisão dos Gestores e aplicação de Políticas Públicas voltadas às mudanças climáticas e análise territorial.