Libras, jogos e encontros: da experiência com Dragon Ball in Z ao ensino de Teoria dos Anéis para estudantes surdos
Educação Matemática Inclusiva; Surdez; Libras; Jogos; Teoria dos Anéis; Ensino Superior.
Esta dissertação investiga práticas de Educação Matemática Inclusiva no ensino superior, com foco na formação de estudantes surdos em cursos de Matemática. A pesquisa parte da experiência do autor como tutor no Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (NAI/UFRRJ), onde acompanhou alunos surdos em disciplinas de caráter abstrato, como Teoria dos Anéis. A partir da análise de documentos oficiais, como a BNCC e a BNCFP, e de referenciais teóricos sobre inclusão e mediação cultural, buscou-se compreender os desafios enfrentados pelos estudantes surdos e pelas instituições de ensino. A investigação articula duas frentes principais: (i) o uso de Libras e do Desenho Universal de Aprendizagem (DUA) como estratégias para tornar acessíveis conteúdos matemáticos complexos; e (ii) a criação e aplicação do jogo inclusivo Dragon Ball in Z, desenvolvido inicialmente para a educação básica e posteriormente adaptado ao contexto universitário, como recurso para o ensino de operações com números inteiros e para mediação didática com surdos. Os resultados apontam que a inclusão efetiva exige mais do que adaptações técnicas, demandando práticas pedagógicas criativas, reconhecimento da Libras como língua legítima de produção de conhecimento matemático e ações institucionais que assegurem permanência e sucesso acadêmico. Conclui-se que experiências lúdicas e dialógicas, como jogos e encontros mediados pela Libras, podem constituir caminhos potentes para a construção de uma Educação Matemática inclusiva e socialmente comprometida.