Pensando o sentido das aulas práticas de Ciências nos anos finais do Ensino Fundamental: limites e possibilidades
Aulas práticas; Ensino de Ciências; Aulas de Ciências; Formação de Professores de Ciências; Ensino Fundamental.
Apresento neste trabalho a pesquisa de dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PGEduCIMAT), iniciada em março de 2016, a qual investiga o sentido dado às propostas de "aulas práticas", "aulas experimentais", "atividades práticas", "aulas diferentes", empregadas no ensino de Ciências no município de Seropédica, entre os professores de Ciências e a Secretaria Municipal de Educação Cultura e Esporte de Seropédica (SMECE) frente a pluralidade de sentidos encontrados na literatura acadêmica, nos livros didáticos mais usados, e na legislação específica de Educação para o Ensino de Ciências, apontando os possíveis fatores que dificultam a utilização dessa estratégia nas aulas de ciências pelos professores e os seus avanços sobre o tema. Proponho uma pesquisa qualitativa (LUDKE e ANDRÉ, 2013), de natureza aplicada e explicativa, implementada em uma escola do município de Seropédica-RJ. Tive acesso a toda a comunidade escolar, suas relações e interações bem como contato direto com três professores de Ciências, os quais constituem o público alvo da pesquisa, cuja coleta de dados brutos teve a duração de cerca um ano letivo. Os instrumentos de coleta de dados visavam captar não somente as falas, mas também os aspectos emocionais e o contexto em que os entrevistados estavam envolvidos por meio de anotações que realizei em caderno de campo. Foi feita uma revisão historiográfica do surgimento da ideia de aulas práticas para o ensino de Ciências, uma pesquisa documental das perspectivas teóricas sobre aulas práticas no Ensino Fundamental na literatura acadêmica e um dos textos e documentos oficiais que tramitam entre a Unidade Escolar e a Secretaria Municipal de Educação. Foi feita a triangulação de dados para a análise considerando três objetos a fim de entrelaçar três fontes de dados que compõem a relação das teorias com os pontos de vista dos informantes e dos documentos analisados (MINAYO,2006). As três estratégias utilizadas na triangulação foram: (1) análise documental; (2) entrevista aberta com os atores da pesquisa e (3) observação não participante. O protocolo das entrevistas não-estruturadas com os professores e com a SMECE, a observação não participante nas suas aulas, assim como a análise de documentos públicos teve como resultado a criação de duas categorias com base na observação e na análise do conteúdo (BARDIN, 1977) obtido a partir da triangulação dos dados (MINAYO, 2006) a respeito das suas concepções e situações vivenciadas sobre as aulas práticas, a frequência de sua utilização, os avanços e as dificuldades enfrentadas para a realização.