Mulheres da Física Nuclear: Um Processo de "Desinvibilização" através do Lúdico
mulheres na física nuclear; feminismo; lúdico, Ensino de Física, PNLD
O papel das mulheres na ciência é de extrema importância. Contudo, é pouco abordado historicamente, e isso se dá ao fato de que para ingressarem na ciência as mulheres enfrentam uma luta constante, sendo esta imposta pela sociedade a qual as põem no papel de cuidadoras do lar, sendo subjugadas constantemente. A luta por igualdade de direitos é representada pelo feminismo, que veio evoluindo, até o feminismo negro, uma vez que as mulheres negras, são ainda mais oprimidas pela sociedade. Apesar dos avanços obtidos pelas mulheres, através de suas várias frentes de luta, isso não significa que alcançaram os mesmos direitos nos distintos espaços. E a Universidade não fica de fora deste contexto, especialmente no que tange às ciências exatas, como podemos observar através da proporção entre o número de docentes homens e mulheres bem como o cenário também se reflete no corpo discente. E se vislumbrarmos a história das Ciências, ela está marcada em quase sua hegemonia pelas figuras de homens brancos considerados gênios. Embora mulheres como Marie Curie, vencedora de 2 prêmios Nobel (um em Física e outro em Química), sejam invisibilizadas nas salas de aula do Ensino Médio (EM), mesmo com o conteúdo de radioatividade sendo contemplado no campo da Física Moderna no currículo, seja no modelo antigo ou na proposta da Base Nacional Comum Curricular do EM (BNCC, p. 540), já contemplada pelo currículo mínimo de Física da secretaria estadual de educação do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ). E o que falar quando se discute relatividade restrita, muitas contas e quase nada sobre sua história e muitos homens se negam a cogitar que a companheira de Einstein, Mileva Maric, possa ter contribuído e a relegam ao total obscurantismo nas aulas. O que dizer sobre a Lise Meitner? Que teve seus créditos roubados por homens em dois trabalhos essenciais para compreensão da composição do átomo como o Efeito Auger e a Fissão Nuclear. Mesmo sendo reconhecida nos livros de história da ciência, não lhe foi feita a devida reparação e também não consta das aulas sobre fissão nuclear. Se pensarmos no início do surgimento do método científico ainda nos séculos XVI e XVII, pode-se perceber que poucos nomes femininos aparecem como representativos das cientistas. E mesmo tal situação sendo relacionada ao contexto histórico-cultural da época, a questão é que continua acontecendo hoje, mulheres cientistas continuam sendo invisibilizadas todos os dias dentro das salas de aulas de disciplinas relacionadas às ciências exatas, como se não tivessem papel de protagonistas no desenvolvimento científico. E isso leva a um efeito cascata, onde meninas que não possuem referenciais não podem sonhar em chegar à determinada posição profissional e é isso, que ocorre nos casos de mulheres cientistas no campo das exatas, que quase não possuem representatividade frente principalmente ao número de cientistas homens brancos e de origem social abastada, que são a maioria nestas posições nas universidades. Visando mudar essa realidade e incentivar mais meninas a ingressarem na Física, este trabalho busca ‘desinviabilisar’ cientistas mulheres nas salas de aula do EM através de uma análise dos conteúdos do currículo mínimo da SEEDUC-RJ e da BNCC, bem como um estudo relacionado à História da Física com objetivo de desenvolver de um jogo de tabuleiro, que abordasse a Física Moderna, em especial na área de Física Nuclear.