EDUCAÇÃO SISTEMATIZADA COM MULHERES TRANS NO SISTEMA PENITENCIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: FORMAÇÃO HUMANA E PROCESSO DE EXCLUSÃO
Transexualidades, Educação prisional, Identidades, Profissão docente,
Tematização.
Este estudo tem como foco analisar as imagens construídas por alunas trans e travestis sobre a
educação prisional a partir de seus relatos orais e está organizado em três partes. Iniciamos por
apresentar os conceitos que explicam e sustentam a base teórica adotada neste texto, a qual articula a
contemporaneidade, a diferença e as (Trans)sexualidades; tudo isso sendo costurado pelo conceito de
diálogo. Objetivamos, assim, analisar a situação educacional de mulheres Trans e travestis em
situação de reclusão a partir das perspectivas das próprias, de forma a legitimar as identidades de
gênero, sexualidade, os direitos humanos, e respeito ao lugar de fala, considerando como sujeitos da
pesquisa, mulheres trans e travestis, privadas de liberdade no Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho,
em Gericinó - Rio de Janeiro-RJ e Homens cis que tiveram alguma relação com estas mulheres, seja
conjugal ou não no Presídio Elizabeth Sá Rego, Bangu V, alunos do Colégio Estadual Padre Bruno
Trombetta. Na segunda parte, voltamos nossa atenção ao surgimento da educação prisional,
ressaltando que esta, se volta à pluralidade e à diferença, rechaçando posturas proselitistas de
quaisquer naturezas. Apresentamos à luz da legislação brasileira, a proposta curricular de uma
educação formal sistematizada a grupos reclusos, sub-humanizados, pluralizados e não oportunizados
à perspectiva pós crítica de educação. Em terceiro momento, explicamos a metodologia utilizada na
condução das entrevistas em que realizamos a tematização e o processo de análise de dados a partir
dos relatos orais das participantes, o que propiciou a formulação de argumentos explicativos, dando
prosseguimento a proposta de produto didático em formato de podcast narrativo disponibilizado no
spotify com um manual interativo, elaborado a partir das vozes silenciadas das mulheres trans e
travestis em reclusão partícipes desta pesquisa com objetivo de colaborar com uma formação mais
humanizada e preparar os professores e alunos para as mais variadas demandas sociais que nos são
apresentadas em diferentes espaços educativos. Como considerações finais da pesquisa,
identificaram-se novas demandas para a formação e atuação profissional introduzidas pela
necessidade de formação continuada.