A BRINCADEIRA É DE QUEM QUISER:
REFLETINDO SOBRE A QUESTÃO DE GÊNERO NA PRIMEIRA INFÂNCIA E INCENTIVANDO MENINAS A OCUPAREM ESPAÇOS NA CIÊNCIA
Educação Infantil. Gênero. Ciência. Brincadeiras.
A escola é um espaço de ensino-aprendizagem coletivo, mas é principalmente um lugar de gente que se encontra, que aprende a (con)viver e ver o mundo a partir desses encontros. Ao longo dos anos, ela também vem servindo à manutenção de um modelo de sociedade e de comportamentos exemplares de ser e estar em sociedade. Compreendemos que a escola também é espaço-tempo para pensar a construção de relações não-sexistas diante das demandas crescentes e emergenciais para constituição de um mundo mais igualitário entre os gêneros da espécie humana. Este estudo se pauta na premissa de que, desde a entrada da criança na Educação Infantil, podemos promover, de forma autônoma e consciente, a reflexão sobre os papeis determinados pelo gênero, a partir de vivências no brincar, de maneira a colaborar para a desconstrução de estereótipos definidos por uma sociedade patriarcal. O trabalho tem como objetivo principal investigar a (re)produção dos papéis de gêneros na Educação Infantil através de brincadeiras e de práticas de Alfabetização Científica, em uma turma de Educação Infantil, de uma escola localizada na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro-RJ. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa e que tem como metodologia a pesquisa narrativa. Para tal, serão propostas brincadeiras às crianças para que elas possam narrar a experiência do brincar. As falas das crianças serão audiogravadas para posterior análise, por meio do paradigma indiciário de Ginzburg (2010), a fim de compreender indícios do lugar da mulher na sociedade e na ciência. Como produto educacional, propõe-se construir um guia de brincadeiras não-sexistas que possibilitem às crianças pensarem e refletirem sobre os papeis de gêneros impostos pela sociedade.