A FILOGENIA DE LAMARCK E A EPIGENÉTICA: UMA DISCUSSÃO SOBRE SUA RELAÇÃO NO ENSINO E APRENDIZAGEM A PARTIR DE UM CADERNO DE ATIVIDADES
Ensino de evolução; Lamarckismo; Epigenética; Educação em Ciências; Concepções dos estudantes; Caderno de atividades; Teorias evolutivas.
Esta dissertação investe em uma discussão sobre como as ideias de Jean-Baptiste Lamarck podem ser ressignificadas no ensino da evolução biológica, propondo uma abordagem pedagógica atualizada à luz dos avanços da epigenética. Historicamente marginalizado em detrimento do darwinismo, principalmente nos livros didáticos, o lamarckismo é frequentemente retratado de forma caricatural, o que limita uma abordagem crítica e histórica dos processos evolutivos A dissertação se fundamenta teoricamente em estudos sobre evolução, história da biologia e epigenética, especialmente em Lamarck, Darwin, Mayr, Bizzo, Jablonka e Lamb, Francis e Noguera-Solano et al., bem como em pesquisas sobre o ensino de evolução, com destaque para Almeida e Falcão e Krizek. Como objetivo a elaboração e análise de um caderno de atividades pedagógicas voltado ao Ensino Médio, com o intuito de contribuir para uma abordagem que integre novas perspectivas científicas e metodológicas no ensino da evolução biológica. Com base em uma abordagem qualitativa, esta pesquisa assume como sujeitos estudantes do Ensino Médio e professoras que atuam com as disciplinas de Ciências e Biologia no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, respectivamente. Os estudantes participam da primeira etapa de coleta de dados, realizada em duas escolas do Rio de Janeiro, por meio da aplicação de um questionário com o objetivo de mapear suas concepções acerca da evolução dos seres vivos. Os professores participam da segunda etapa, por meio de um grupo focal, para análise e validação do caderno de atividades — produto educacional deste estudo — que inclui sugestões de práticas pedagógicas abordando a temática da evolução a partir dos avanços da epigenética. Os resultados das análises dos questionários apontam que, embora predomine a perspectiva darwinista, muitos estudantes demonstram intuições compatíveis com ideias lamarckistas, além de um expressivo desconhecimento sobre epigenética. Essas evidências revelam um espaço propício para a inclusão de uma abordagem mais complexa sobre o tema no currículo escolar. Ao mesmo tempo, articuladas à literatura, sustentam e inspiram a elaboração do produto educacional, que valoriza os conceitos de Lamarck, Darwin e epigenética, visando uma aprendizagem mais crítica, atualizada e dialógica sobre a diversidade da vida.