A BRINCADEIRA É DE QUEM QUISER:
REFLETINDO SOBRE A QUESTÃO DE GÊNERO NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Educação Infantil. Gênero. Ciência. Brincadeiras.
A escola é um espaço de ensino-aprendizagem coletivo, mas é principalmente um lugar de gente que se encontra, que aprende a (con)viver e ver o mundo a partir desses encontros. Ao longo dos anos, ela também vem servindo à manutenção de um modelo de sociedade e de comportamentos exemplares de ser e estar em sociedade. Compreendemos que a escola também é espaço-tempo para pensar a construção de relações não sexistas diante das demandas crescentes e emergenciais para constituição de um mundo mais igualitário entre os gêneros da espécie humana. Este estudo se pauta na premissa de que, desde a entrada da criança na Educação Infantil, podemos promover, de forma autônoma e consciente, a reflexão sobre os papeis determinados pelo gênero, a partir de vivências no brincar, de maneira a colaborar para a desconstrução de estereótipos definidos por uma sociedade patriarcal. O trabalho tem como objetivo principal investigar a (re)produção dos papéis de gêneros na Educação Infantil, através de brincadeiras e dos pressupostos de Alfabetização Científica (CHASSOT, 2018), em uma turma de Educação Infantil, de uma escola localizada na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro-RJ. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e que se apoia na metodologia da pesquisa narrativa. Como produto educacional, foi elaborado um acervo de brincadeiras não sexistas a fim de possibilitar a reflexão sobre os papeis de gêneros impostos na sociedade. As brincadeiras foram vivenciadas pelas crianças que narraram sobre a experiência do brincar. As falas/narrativas infantis foram audiogravadas e posteriormente analisadas com base no paradigma indiciário de Ginzburg (2010), a fim de compreender indícios do lugar da mulher na sociedade e na ciência. Os resultados apontam que os estudos e práticas, desenvolvidos durante a pesquisa, reverberaram para além do espaço da sala de aula e se constituiu como ferramenta de transformação de práticas docentes de outros colegas professores. Para as crianças, mostrou-se experiência educativa potencialmente transformadora, capaz de colaborar para uma sociedade mais justa e igualitária por meio de diálogos que reconheçam a diversidade como constituinte do humano e neutralizando qualquer tipo de exclusão ou violência de gênero.