Desenvolvimento de Projetos Interdisciplinares: a contribuição da afetividade no período de transição do 6º ano do Ensino Fundamental
Afetividade. Transição dos anos iniciais para os anos finais. Storytelling. Projetos interdisciplinares. Afetividade no ensino de matemática.
A pesquisa aborda a contribuição da afetividade e o desenvolvimento de projetos interdisciplinares para alunos do 6º ano do ensino fundamental, focando na transição entre os anos iniciais e finais, assim como nas dificuldades de aprendizagem exacerbadas pela pandemia e pelo analfabetismo funcional. A pesquisa investigou como metodologias ativas e storytelling podem criar um ambiente educacional mais acolhedor e eficaz, promovendo uma aprendizagem significativa. Para alcançar esse objetivo, a pesquisa teve como foco a influência da afetividade no ensino de matemática, com ênfase na implementação de metodologias ativas e storytelling. Essa abordagem visou mitigar os desafios enfrentados pelos alunos durante a transição dos anos iniciais para os anos finais do Ensino Fundamental e o analfabetismo funcional agravado pelo contexto pós-pandêmico. Nesse contexto, o estudo teve como meta desenvolver um produto educacional que fortalecesse a interação prática do professor e o engajamento dos alunos. A metodologia adotada foi de natureza qualitativa, utilizando triangulação de dados envolvendo a análise de documentos, observação participante e a validação coletiva do produto educacional no Grupo de Estudos e Pesquisas em Etnociências e Etnomatemática (GEtCiMat). O estudo foi inspirado em duas turmas de 6º ano de uma escola municipal de Guapimirim-RJ, nas quais a coleta de dados se deu por meio das descrições dos projetos interdisciplinares desenvolvidos e das experiências vivenciadas pela autora, como professora regente. O produto educacional construído a partir dessa prática tem caráter formativo e reflexivo, a servir como um guia de apoio flexível à prática docente. Ele reúne sugestões de projetos interdisciplinares, propostas de atividades e espaços para autoavaliação, com base na afetividade, na escuta sensível e na valorização da experiência concreta dos professores, validado por meio de discussões com um grupo de estudos e pesquisas. A escolha do tema “afetividade na educação” surgiu das experiências pessoais da autora, que vivenciou o impacto positivo de professores afetuosos ao longo de sua trajetória acadêmica. Com base nessas vivências, a autora acredita que a afetividade na sala de aula com base em projetos interdisciplinares é fundamental para o engajamento e, consequentemente, a aprendizagem dos alunos, criando um ambiente acolhedor e humanizado. Entretanto, a educação matemática no 6º ano enfrenta desafios significativos, agravados pela pandemia. O fechamento das escolas prejudicou a alfabetização e aumentou as dificuldades de leitura e escrita, enquanto os alunos, em transição para a adolescência, lidam com questões emocionais e desinteresse nas aulas. O referencial teórico explora a relação entre afetividade e aprendizagem, ressaltando a importância do afeto na cognição. Assim, fundamenta-se na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e em autores como Silva (2022), Cesar Coll (1988) e Mattos (2021), que discute a relevância do afeto no contexto educacional. O texto também aborda o analfabetismo funcional e suas implicações, referenciando o INAF e o UNICEF, e analisa metodologias ativas e storytelling como estratégias para engajar os alunos. Baseia-se também nas teorias de Wallon (1995), Piaget (1977) e Vygotsky (1998). Por fim, a pesquisa mostrou que a afetividade, aliada aos projetos interdisciplinares, às metodologias ativas e ao storytelling, pode melhorar o engajamento dos alunos e, consequentemente, a aprendizagem da matemática entre alunos do 6º ano. Além disso, evidencia a importância de considerar aspectos emocionais e sociais no ensino-aprendizagem, especialmente em contextos desafiadores como os vivenciados.