GEOGRAFIA E CENÁRIOS FÍLMICOS: UMA DISCUSSÃO SOBRE AS PAISAGENS NARRATIVAS DE CINEMA,ASPIRINAS E URUBUS
Geografia e Cinema; Paisagens Narrativas, Geografia e Arte, Geografia Fílmica.
A presente proposta que dá origem a esta dissertação busca trazer uma contribuição a partir das geografias fílmicas dentro da geografia humana, com aproximações e percepções entre a realidade de mundo e espaços tempos entre os personagens do filme brasileiro Cinema, Aspirinas e urubus, um filme do gênero “filme de estrada” do diretor e cineasta brasileiro Marcelo Gomes (2005), e como o fenômeno migratório pode ser observado como fator comum de aproximação e reconstrução de identidades entre as realidades distintas e conflitantes dos personagens Ranulpho e Johann,personagens centrais do filme. Geografizar as cenas através das capturas de fotografias do filme, nos permitem a construção de imaginários que alimentam sonhos e desejos de sobrevivência, onde vemos cada personagem criando sua geografia, ou melhor, a sua geograficidade. Trazer para a discussão e falar sobre a categoria de paisagem é contribuir para um dos conceitos mais ontológicos da Geografia e, ainda que existam raízes sólidas e concretas de produção bibliográfica sobre o tema, sempre é possível uma nova perspectiva de análise e como aponta Claval (2004) a imaginação é constitutiva na experiência geográfica, sendo o homem o único capaz de falar sobre locais que nunca viram ou que também não existam dando ao mundo uma “dimensão poética”Nesse viés, a paisagem é explorada como narrativa expondo as relações nos diferentes cenários fílmicos..A condição fenomenológica da percepção, desenvolvida pelas ideias de Merleau-Ponty (1999) alimenta essa afirmação e sustenta parte da metodologia desta proposta de trabalho, pois busca valorizar os sentidos humanos como caráter principal da sua contribuição na fenomenologia e suas interpretações dos sujeitos inseridos no mundo. Interagindo com a sequência do discurso e metodologia da geografia cultural, Eric Dardel (2011), herdeiro fenomenológico de Martin Heidegger, irá conceber elementos subjetivos, sensoriais e cognitivos na relação humana com o espaço, contribuindo com o seu conceito de Geograficidade. Ajudando na interpretação da obra e em apoio a geografia cultural, a Análise Textual do Discurso (ATD) se faz presente como a estratégia de entendimento das linguagens verbais e não verbais expostas pelas paisagens capturadas pelas fotografias fílmicas. O objetivo principal é explorar as percepções do meio ambiente, bem como a forma que os personagens constroem suas relações sociais desde o imaginário, à configuração da vida real cotidiana. E de observação direta, como a movimentação ou mesmo a perambulação dos personagens favorecem o surgimento de geograficidades entre os personagens, muita das vezes até aproximando-os e compondo imaginários sobre diferentes lugares será nossa discussão principal ao entorno da estética usada no filme e como o fenômeno da migração é construído favorecendo o enredo da obra.