TRAJÉTORIAS NEGRAS: intersecção de raça, gênero e classe no Programa de Pós-Graduação
Palavra-chave: Mulheres Negras; Feminismo Negro; Corporeidade; Trajetórias Educacionais; Pós-Graduação.
Neste trabalho pretende apresentar reflexão sobre a presença de mulheres negras no Programa de Pós-Graduação em Geografia. Por meio da minha própria narrativa e da narrativa de outras mulheres, almejo entender as questões que permeiam nossos corpos e identidades. A situação da mulher negra na sociedade, sobretudo a brasileira, é atravessada por resultados de processos históricos e não pode ser discutida sem a análise da categoria interseccional. Recorremos a interseccionalidade como uma ferramenta analítica e metodológica de cruzamentos de opressões sofridas por grupos vulneráveis. Com isso, busco investigar como as intersecções de raça, gênero e classe colocam-se na trajetória de vida e educacional de mulheres negras. O espaço escolar/ acadêmico é impactado pelo racismo e sexismo, que provocam o apagamento, sub-representação e subvalorização, contribuindo para deslegitimar conhecimentos localizados e vivências negras. Sendo assim, o objetivo principal do trabalho é analisar a trajetória de vida e educacional das mulheres negras no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGGEO) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A partir desse objetivo, desdobram-se objetivo específico que incluem: a) Localizar a presença de mulheres negras no curso de Pós-Graduação em Geografia da UFRRJ. b) Apresentar uma contextualização sobre a interseccionalidade de raça, gênero e classe, situando esses elementos como fundamentais para a compreensão da experiência das mulheres negras nesse ambiente acadêmico. C) Analisar a narrativa de vida dessas mulheres ingressantes no curso de Mestrado em Geografia, com ênfase em suas trajetórias educacionais, a fim de evidenciar as possíveis influências, ou não, das intersecções de raça, gênero e classe no meio educacional. Dessa maneira, a resistência e a emancipação que acompanham as reflexões do feminismo negro subsidiarão as análises e a metodologia deste estudo. Empregaremos as abordagens metodológicas da Autoetnografia Negra e Desde Dentro, rompendo com metodologias unívocas, cristalizadas e que negligenciam as subjetividades e vozes negras. Como resultado esperado pretende-se evidenciar e refletir as múltiplas formas de discriminação que envolvem o espaço da mulher negra na sociedade, especialmente no âmbito educacional.